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Março 7, 2008

Gabriel Tarde – (Coletivo, Redes Sociais, Multidão) Relações de Poder e a Sociologia das Associações

Arquivado em: Bruno Latour, Gabriel Tarde, multidão, opinião, sociologia — Cacau Freire @ 9:25 pm

” – Vidas, (vidas?)
- Almas…”

Um ponto inicial para o estudo das redes sociais pode ser encontrado em Gabriel Tarde (1901) ao expor uma teoria sociológica da opinião e, mesmo antes, em Tarde (1890) quando fala sobre as leis da imitação.

A abordagem deste autor é interessante pois trata da sociedade a partir do coletivo. Apesar de ser inicialmente caracterizado como criador de uma sociologia do individualismo, esta é uma visão extremamente equivocada da obra do autor: composta em sua maioria por coletâneas de artigos científicos.

Ao renegar uma abordagem panorâmica e categorizante da ação social tal como concebidas por Durkheim e Weber, Tarde esboça uma microsociologia que aborda o indivíduo como um lugar inquieto de interação, inserido numa rede social, num movimento de idéias, inovações, num fluxo.

É por isso que autores como Guilles Deleuze e Latour(2007) retomam essa visão da sociedade para lidar com a metáfora rizomática e com a criação de uma teoria dos atores em rede.

A história de Gabriel Tarde é cúmplice das relações de poder dentro de um campo de conhecimento científico. Data da formação da sociologia como campo de estudos científicos, no início do século XIX. Na França, após a guerra com a Prússia, os franceses decidiram investir na educação, como forma de reerguer a nação. Nesse sentido, estudar o social e conceber um conceito de sociedade era fundamental.

Envolvido em uma disputa acadêmica pelo poder do melhor conceito, a visão panorâmica de sociedade de Durkheim prevaleceu.

Entrentato, seus estudos estão sendo retomados. Segundo Tarde, não há uma idéia ou crime cujo responsável possa ser considerado um ser individual. A individualidade ou subjetividade é uma mente inteligente, por onde passam os fluxos das inovações e as imitações.

A multidão para Tarde assume as mesmas perspectivas descritas por Canetti(2005), é móvel, se organiza em diversos movimentos, é o primeiro estado em que a sociedade se apresenta, depois da família.

Público é a multidão organizada pelas opiniões comuns através dos meios de comunicação, no qual nã há contato físico, mas carrega consigo a potencialidade de se organizar e exercer formas de poder. Podemos relacionar esta definição ‘espinoziana’ de Tarde à de Howard Rheingold (2003) ao tratar dos movimentos gerados pelos smart moobs.

De qualquer forma, a questão da opinião e dos estudos da multidão através dos movimentos dos indivíduos é uma proposta muito interessante e nada fácil ao se pensar relações de poder em comunidades virtuais.

Retomar algo do séc. XIX para os dias atuais não é nenhuma atitude arriscada quando se pensa na origem da sociologia e na concepção do que seriam os grupos sociais e seus aspectos de ação coletiva.

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