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Subjetivação, crenças e desejos

April 28, 2008 Leave a comment

A fenomenologia clínica  dos modos de  subjetivação agenciados como fluxos de crenças e desejos, individuais e sociais segundo Gabriel Tarde:

“O tímido é a própria figura da oposição social elementar, aquela em que a bifurcação da crença e do desejo existe, mas é vazia como hesitação, isto é, como um momento de indecisão absoluta e paralisante entre duas correntes imitativas a seguir. Enquanto isso, o louco se aproxima da figura do inventor, uma vez que os dois partilham um posição mais supra-social do que social e trabalhom, a partir dessa posição minoritária, para provocar o desencadeamento de novos fluxos de crenças e desejos.

(…)Tarde apresenta a figura do idiota como aquela em que os processos de subjetivação sequer existem, em razão da ausência de bifurcações entre a crença e o desejo; a figura do sonâmbulo como aquela dos processos de assujeitamento dócil e crédulo às séries sociais de imitação; a figura do tímido como aquela com que os fluxos da crença e de desejo se binarizam, se obstacularizam e desencadeiam processos de dessubjetivação; e a do louco como aquela em que os fluxos de crença e desejo se conectam para dar lugar a novos processos de subjetivação. “

VARGAS, Eduardo Viana. (2000) Antes tarde do que nunca: Gabriel Tarde e a emergência das ciências sociais. Rio de Janeiro: ContraCapa.

Aspectos da massa em Elias Canetti

Alguns aspectos da multidão mencionados por Elias Canetti que são próximos às análises estabelecidas por Gabriel Tarde.

(Imitação/Inovação)

“O movimento de uns – pode-se pensar – comunica-se aos outros; mas não é só isso: as pessoas têm uma meta. E ela está lá antes mesmo que se encontrem palavras para descrevê-la: a meta é o ponto mais negro – o local onde a maioria encontra-se reunida.”(15)

(Movimento)

“Sim, pois tão subitamente quanto nasce a massa também se desintegra. Nessa sua forma espontânea, ela é uma construção delicada. Seu caráter aberto, que lhe possibilita o crescimento, representa-lhe também um perigo. A massa traz sempre vivo em si um pressentimento da desintegração que a ameaça e da qual busca escapar através da desintegração que a ameaça e da qual busca escapar através do rápido crescimento. Enquanto pode, ela absorve tudo; uma vez, porém, que tudo absorve, tem ela também de, necessariamente desintegrar-se.” (15)

Aquilo, porém, com que ela conta muito especialmente é a repetição. Graças à perspectiva de voltar a reunir-se, a massa sempre se ilude quanto a sua dissolução. O edifício espera por ela, existe por sua causa, e, enquanto ele existir, as pessoas voltarão a reunir-se de modo semelhante. Mesmo na maré baixa, o espaço lhes pertence, e, vazio, ele lembra a época da cheia.” (16)

Repetição em Canetti bate muito com a idéia de imitação em Tarde, e a forma de desintegração e reintegração da massa em momentos históricos distintos (ainda que seja apenas questão de minutos) compara-se com o movimento de ondas de repetição e inovação.

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