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Metodologia e Epistemologia

Based on:

Thiollent Michel J. M (1981) Crítica metodológica, investigação social & enquete operária. 2ª ed. São Paulo: Polis. Coleção Teoria e História. vol. 6.

O que o autor questiona nessa obra é a formação dos dados dentro de uma pesquisa. E propõe que a metodologia seja uma construção epistemológica dentro da pesquisa.

“Voltando aos problemas da formação de pesquisadores no contexto universitário, podemos dizer que, dentro de uma concepção do conhecimento que não seja empiricista nem teoricista, tal formação deveria combinar ao menos três elementos: (a) as teorias sociológicas, (b) as técnicas de pesquisa e (c) a epistemologia ou metodologia geral. Formalmente, estes três elementos constam em qualquer programa. O que falta mesmo é a sua articulação. As teorias sociológicas não deveriam se apresentadas como elementos de cultura geral ou como coleção de obras dos gênios do passado, mas sim como problemáticas, como fontes de conceitos ou de hipóteses necessárias à concepção de projetos de pesquisa relativos a determinados assuntos cuja relevância social e científica precisa ser discutida. As técnicas de pesquisa não deveriam ser ensinadas como receitas ou instrumentos neutros e intertrocáveis, mas sim como dispositivos de obtenção de informação cujas qualidades, limitações e distorções devem ser metodologicamente controladas. A epistemologia não deveria ser ensinada como disciplina em si nem se especializar nos mais abstratos problemas, ou, até, nas aporias do conhecimento humano. Trata-se de delinear uma epistemologia propriamente sociológica, voltada ao controle de processos de investigação. Nesta linha, a metodologia é considerada como ‘ramo’ da epistemologia que se especializa no controle das técnicas de pesquisa e na obtenção de dados. A epistemologia estabelece as seleções ou as ruturas conceituais necessárias e, em associação com a lógica, controla o cotejo dos dados com os elementos teóricos, a verificação de enunciados hipotéticos e a estruturação de conhecimento em elaboração. Essas rápidas indicações não resolvem os difíceis problemas de determinação do conteúdo dos cursos de Ciências Sociais. Todavia, achamos que seriam um ponto de partida válido para a cooperação entre vários professores tendo em vista a formação de sociólogos-pesquisadores, dentro de uma concepção global do processo de investigação capaz de evitar o empiricismo, o teoricismo e outras formas de desvio intelectual. ” (THIOLLENT, 1981, p. 22).

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  1. February 22, 2009 at 12:59 am

    Construção epistemológica na pesquisa (hummm!?!) Possível, se o método for do tipo “Pesquisa-ação” – os pequisadores e os participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo(Thiollent,1996).
    Muito interessante o assunto postado.
    Abraços,
    Lumiy

  2. February 24, 2009 at 10:44 pm

    Oi Lumiy,

    Obrigada pelo seu comentário, foi muita generosidade sua! Geralmente quando olho para uma pesquisa observo duas coisas que conseguem ser a expressão da subjetividade do autor, mesmo diante de um “processo científico”: a colocação do problema de pesquisa e a escolha das técnicas de coletas de dados. Esses dois atos trazem a pesquisa para o contexto do pesquisador, suas possibilidades de ação em simetria com seus interesses. Observo isso como uma construção epistemólogica na pesquisa, como bem mencionou o Thiollent – as escolhas que o pesquisador fez para dar conta de sua inquietação. Não existe o jeito certo ou errado de pesquisar o problema, existem sim possibilidades e o que elas nos trazem de volta. Apesar de muitas vezes não explícitas no corpo da dissertação ou tese, tais escolhas emergem na colocação do problema e na justificativa (ou reflexão) sobre os métodos empregados na investigação.

  3. April 2, 2009 at 12:14 am

    Oi Cacau Freire !
    Concordo com suas palavras ao dizer “não exite o jeito certo ou errado de pesquisar o problema”, porém é essencial estar explícita a metodologia conceitual aplicada na pesquisa, conforme Thiollent (1998), para provêr uma estrutura de subsídios ao planejamento e desenvolvimento sistematizado de uma investigação científica. Tentar suscitar na colocação do problema ou na justificativa … talvez num caso teoricista e de não utilização de vários métodos combinados. Mas, gostei da sua colocação, é uma forma de priorizar o conteúdo como todo e não restringir logo no início do trabalho.
    Abraços,
    Lumiy
    (*) Desculpa a demora para responder. Só hoje é que fui perceber do seu comentário/resposta para mim.

  4. November 5, 2010 at 11:14 pm

    Em referência a “a metodologia é considerada como ‘ramo’ da epistemologia que se especializa no controle das técnicas de pesquisa e na obtenção de dados”,
    atrevo-me a uma questão se permitir: – O que podemos chamar de “desvio intelectual” ?

    Bom texto. Valeu a postagem.
    MECENAS

    • November 9, 2010 at 6:00 am

      Olá Mecenas,

      Agradeço a sua presença! É interessante o desfecho deste trecho do Thiollent ao colocar o processo epistemológico como principal ao se pensar a escolha das técnicas de coletas de dados na pesquisa. E não é que ele coloca o perigo da escolha errada nas referências e correntes epistemológicas das quais participamos ao utilizar os termos “empiricismo”, “teoricismo” e eu diria há tempos “tecnicismo”…

  1. July 5, 2014 at 12:17 am

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