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Poder em Deleuze

DELEUZE, Gilles; GUATARRI, Félix. (1996) Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Tradução: Aurélio Gerra Neto, Ana Lúcia de Oliveira, Lúcia Cláudia Leal e Suely Rolnik. Rio de Janeiro: Editora 34. v.3.

Esta postagem trata da forma com que Deleuze entende o poder. Combina com a forma de ver o poder em Foucault e em Gabriel Tarde. A questão da microfísica e da microsociologia, Tarde falava em átomos, Deleuze fala em moléculas. O princípio é o mesmo. A massa como um conjunto micro de relacionamentos que acabam por determinar o seu grande movimento na sociedade. Nesse texto Deleuze é bem didático, e fala sobre a microssociologia de Gabriel Tarde.

9. 1933 – Micropolítica e Segmentaridade. (Tradução de Suely Rolnik)

” Em suma, tudo é político, mas toa política é ao mesmo tempo macropolítica e micro política. Consideremos conjuntos do tipo percepção ou sentimento: sua ornanização molar, sua segmentaridade dura, não impede todo um mundo de microperceptos insconscientes, de afectos inconscientes, de segmentações finas, que não captam ou não sentem as mesmas coisas, que se distribuem de outro modo, que operam de outro modo. Uma micropolítica da percepção, da afecção, da conversa, etc. (…)” (90)

” E as próprias classes sociais remetem a “massa” que não têm os mesmos objetivos, nem as mesmas maneiras de lutar. As tentativas de distinguir massa e classe tendem efetivamente para este limite: a noção de massa é uma noção molecular, procedendo por um tipo de segmentação irredutível à segmentaridade molar de classe”. (91)

” Com efeito, num primeiro caso, quanto mais a organização molar é forte, masi ela própria suscita uma molecularização de seus elementos, suas relações e seus aparelhos elementares. Quando a máquina torna-se planetária ou cósmica, os agenciamentos têm uma tendência cada vez maior a se miniaturizar e a tornar-se microagenciamentos. (…) A administração de uma grande segurança molar organizada tem por correlato toda uma microgestão de pequenos medos, toda uma insegurança molecular permanente, a tal ponto que a fórmula dos mistérios do interior poderia ser: uma macropolítica da sociedade para e por uma micropolítica da insegurança. (…) os movimentos moleculares não vêm mais completar, mas contrariar e furar a grande organização mundial. ” (93-94)

” Do ponto de vista da micropolítica, uma sociedade se define por suas linhas de fuga, que são moleculares. Sempre vaza ou foge alguma coisa, que escapa às organizações binárias, ao aparelho de ressonância, à máquina de sobrecodificação (…)” (94)

” E a cada vez pode-se situar um ‘centro de poder’ como estando na fronteira dos dois, e defini-los não por seu exercício absoluto num campo, mas pelas adaptações e conversões relativas que ele opera entre a linha e o fluxo. ” (95)

” É por isso que os centros de pode se definem por aquilo que lhes escapa, pela sua impotência, muito mais do que por sua zona de potência. Em suma, o molecular, a microeconomia, a micropolítica, não se define no que lhe concerne pela pequenez de seus elementos, mas pela natureza de sua “massa” – o fluxo de quanta, por sua diferença em relação à linha de segmento molar.” (96)

Linha de segmentos: macropolítica.
Fluxo de quanta: micropolítica.

” A política opera por macrodecisões e escolhas binárias, interesses binarizados; mas o domínio do decidível permanece estreito. E a decisão política mergulha necessariamente num mundo de microdeterminações, atrações e desejos, que ele deve pressentir ou avaliar de um outro modo. ” (102)

Ex: bancos, instituições financeiras, bolsa.
Não há contradições entre o molecular e o molar. Não há bom nem ruim. Há diferenciação.
Fala da microssociologia de Gabriel Tarde – o único sociólogo (dos tempos do surgimento da sociologia – final do séc. XIX) capaz de lidar com a multidão e com o caos social.

“Cada centro de poder é igualmente molecular, exercendo-se sobre um tecido micrológico onde ele só existe enquanto difuso, disperso, desacelerado, miniaturizado, incenssantemente deslocado, agendo por segmentações finas, operando no detalhe e no detalhe. (…) E não há mais centro do poder que não tenha essa microtextura. É ela – e não o masoquismo – que explica que um oprimido possa sempre ocupar um lugar ativo no sistema de opressão (…)” ( 105-106).

” Todo centro de poder tem efetivamente estes três aspectos ou estas três zonas:

1) sua zona de potência, relacionada com os segmentos de uma linha sólida dura;

2) sua zona de indiscernibilidade, relacionada com sua difusão num tecido microfísico;

3) sua zona de impotência, relacionada com os fluxos e quanta que ele só consegue converter, e não controlar nem determinar. Ora, é sempre do fundo de sua impotência que cada centro de poder extais sua potência: daí sua maldade radical e sua vaidade.” (108)

” Tudo se tornou flexibilidade aparente, vazios no pleno, nebulosas nas formas, tremidos nos traços. ” (110)

” É precisamente sua impotência que torna o poder tão perigoso” (111)

” O desejo é sempre agenciado, ele é o que o agenciamento determina que ele seja.” (112)

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