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Idéia e Potência em Spinoza

O pouco que aprendi sobre Spinoza, aprendi lendo Deleuze.

Muitas pessoas que falam que ler Deleuze é complicado, mas também o pouco que li, pareceu-me extremamente didático ao tratar do assunto que estava expondo, professor mesmo em seu jeito de escrever.

Portanto, segundo Deleuze:

O livro principal de Spinoza é “Ética” – escrito em latim e disponível para dowload em espanhol no link.

Nele trata-se de:

Affectio: afecção – que significa alteração de faculdade receptiva que revela seu modo próprio de receber e transformar impressões. (De acordo com o Dicionário Aurélio).

Affectus: afeto – que significa (1) afeição por alguém; inclinação, simpatia, amizade, amor:; (2) O elemento básico da afetividade.

O que é uma idéia?

– Toda idéia possui uma realidade objetiva:, a idéia é um modo de pensamento que representa alguma coisa.

Em contraposição: afeto (affectus) é todo pensamento que não representa nada – tipo “sentimentos”, “vontades”.

Por isso todo afeto pressupõe, antes, uma idéia. Para se sentir alguma coisa e saber o que se está sentindo devemos, antes, ter uma idéia do que sentimos.

A idéia vem antes do afeto cronologicamente e logicamente. É o primado dos modos representativos sobre os modos não-representativos.

Entretanto, esse primado não significa uma redução do afeto perante a idéia, pois são duas espécies de modos de pensamento que diferem em natureza. São irredutíveis um ao outro, mas que possuem uma relação “por mais confusa que seja”.

– Toda idéia possui também uma realidade formal que seria a idéia da idéia, seu caráter intrínseco. É a relação da idéia com o que ela representa. Por isso há diferença de idéias, devido à sua realidade formal. A idéia de “Pai” é diferente da idéia de “mesa”, por exemplo. Nesse caráter intrínseco está embutido um grau de realidade ou de perfeição que a idéia envolve nela mesma. Enfim, toda idéia é alguma coisa.

Deleuze comenta sobre o método geométrico de exposição de Spinoza, sob a forma de proposições e demonstrações, nos livros II e III da Ética.

O que podemos tirar de concreto disso?

Acontece que durante a nossa vida, nossas idéias se sucedem constantemente. E de acordo com Spinoza, a vida “trata-se pois de uma série de sucessões, de coexistências de idéias, sucessões de idéias.”

Automaton – as idéias se afirmam em nós e não nós temos idéias.

Vivemos em “variações” perpétuas: – Variação da minha força de existir. Pode ser aumentada/favorecida ou inibida/impedida.

“Vis existente” – força de existir.
“Potentia agendi” – potência de agir.

Na relação idéia e afeto é que acontece a variação na minha força de existir. “(…) há uma variação contínua, sob a forma de aumento – diminuição – aumento – diminuição, da potência de agir ou da força de existir de alguém de acordo com as idéias que ele tem”.

Affectus [afeto] em Spinoza é a variação contínua da força de existir na medida em que essa variação é determinada pelas idéias que se tem.

Outro texto interessante mencionado por Deleuze que não tenho certeza se está na Ética – “Definição geral dos afetos” – Spinoza.

Eu, de maneira humilde, não diria de acordo com as idéias que ele tem, mas de acordo com as idéias que se aproximam ou que emergem nele.

“à medida que uma idéia substitui a outra, eu não cesso de passar de um grau de perfeição a outro, mesmo que [a diferença] seja minúscula, e é essa espécie de linha melódica da variação contínua que irá definir o afeto [affectus] ao mesmo tempo na sua correlação com as idéias e em sua diferença de natureza com as idéias”.

Ou seja, é sempre bom andarmos com pessoas que nos provoquem boas idéias, afeto, senão ficamos tristes e a nossa potência de existir diminui…Isso pode funcionar muito quando pensamos na influência das pessoas nas redes sociais.

“(…) sobretudo não creiam que o affectus, tal como eu o concebo, depende de uma comparação entre as idéias. Ele quer dizer que a idéia pode muito bem ser primeira em relação ao afeto, mas idéia e afeto são duas coisas de natureza diferente; o afeto não se reduz a uma comparação intelectual das idéias, o afeto é constituído pela transição vivida ou pela passagem vivida de um grau de perfeição a outro, na medida em que essa passagem é determinada pelas idéias (…)”

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