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Bruno Latour, a crise da crítica e o projeto perdido da modernidade:

Esse post fica melhor acompanhado do Empty – do Tryad

“Os críticos desenvolveram três repertórios distintos para falar de nosso mundo: a naturalização, a socialização, a desconstrução. Digamos, de forma rápida e sendo um pouco injustos, Changeux, Boudieu, Derrida. Quando o primeiro fala de fatos naturalizados, não há mais sociedade, nem sujeito, nem forma do discurso. Quando o segundo fala de poder sociologizado, não há mais ciência, nem técnica, nem texto, nem conteúdo. Quando o segundo fala de poder sociologizado, não há mais ciência, nem técnica, nem texto, nem conteúdo. Quando o terceiro fala de efeitos de verdade, seria um atestado de grande ingenuidade acreditar na existência real dos neurônios do cérebro ou dos jogos de poder. Cada uma destas formas de crítica é potente em si mesma, mas não pode ser combinada com as outras. Podemos imaginar um estudo que tornasse o buraco de ozônio algo naturalizado, sociologizado e desconstruído?” (LATOUR, 2008, p. 11)

Na cidade, havia um grupo de dança que estava apresentando a peça “Capitães da Areia”, baseado na obra de Jorge Amado. Todos sabiam o dia e a hora do espetáculo. Aquela era uma noite de lua cheia, e fui assistir também. Na parte mais sensual, quando o personagem “Gato” tem uma noite de amor com a prostituta Dalva, ouvi uma música do maestro Villa Lobos que nunca mais consegui esquecer…Ao final, entrevista no telão com Gilberto Gil que havia composto algumas músicas especialmente para a apresentação.

Fiquei pensando o que um grupo mineiro tinha que se meter a apresentar um espetáculo de uma autor baiano, com composições do Gilberto Gil e músicas do villas.

“Olha, ainda bem que acabou, eu não aguentava mais aquelas oficinas…duravam o final de semana inteiro. A gente chorava e a gente ria, sentia raiva depois, todos os sentimentos juntos…não foi fácil”. (depoimento de uma das bailarinas).

“Mas ficou muito lindo, ficou uma coisa profissional mesmo!” (resposta da jornalista e prima à bailarina, no camarim).

Fui embora pensando naquilo, com a seriedade que qualquer pessoa de vinte anos julga ter. O espetáculo havia ficado realmente bom. Rapidamente, aquele pequeno grupo iniciou turnê pelo Brasil e em países da Europa como Suécia e Alemanha.

Um dia tudo acabou, era hora de falar de outra coisa. Algumas das pessoas o grupo que conheço continuam dançando até hoje. Outras pararam…e nunca mais foram iguais.

Na estética das redes, em associações sociotécnicas em que vivemos, a incerteza é o pattern que vigora… foi assim em todas as épocas históricas, mas agora não podemos evitar de ver, caiu o medo da incerteza pela realidade que ela desperta e confronta em nossas fronteiras.

Admitir esse movimento, principalmente nas relações, pode ser terrível e representar uma grande ameaça para alguns…mas como? se sempre foi assim…no fundo, a metáfora Baumática do “amor líquido” e da “modernidade líquida” e sejam quais líquidos mais forem, só fazem retratar algo que nunca existiu: o amor moderno e a sociedade moderna.

Fontes e Críticas:

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos.Tradução: Carlos Irineu da Costa. 4 ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 2008.

  1. ana
    October 21, 2008 at 3:44 pm

    vc devia conhecer um amigo nosso que pra tudo cita… bauman e seu amor líqüido … (estou começando a ficar com raiva de bauman ;))

  2. October 21, 2008 at 8:25 pm

    Olá Ana,

    que bom encontrar você por aqui! Nossa o Bauman…nem me fale…acho que ficou meio ridículo essa liquidez toda…poderia ter parado na seqüência modernidade líquida e amor líquido. Daí já bastava. Entretanto, aqui na Escola de Comunicação e Artes da USP ele está muito bem contato, vai fazer parte dos autores para a seleção de pós-graduação em comunicação desse ano de 2008.

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