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Archive for February, 2009

O Conceito de Trabalho Imaterial – Michael Hardt & Toni Negri (2005)

February 24, 2009 Leave a comment

HARDT, Michael; NEGRI, Antônio. Multidão: guerra e democracia na era do imperio. Tradução: Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Record, 2005.

“A cena contemporânea do trabalho e da produção, como explicaremos, está sendo transformada sob a hegemonia do trabalho imaterial, ou seja, trabalho que produz produtos imateriais, como a informação, o conhecimento, idéias, imagens, relacionamentos e afetos. Isto não significa que não exista mais uma classe operária industrial trabalhando em máquinas com suas mãos calejadas ou que não existam mais trabalhadores agrícolas cultivando o solo. Não quer dizer nem mesmo que tenha diminuído em caráter global a quantidade desses trabalhadores. Na realidade, os trabalhadores envolvidos basicamente na produção imaterial constituem uma pequena minoria do conjunto global. O que isto significa, na verdade, é que as qualidades e as características da produção imaterial tendem hoje a tranformar as outras formas de trabalho e mesmo a sociedade como um todo. Algumas dessas novas características decididamente não são bem-vindas. Quando nossas idéias e nossos afetos, nossas emoções, são postos para trabalhar, por exemplo, sujeitando-se assim, de uma nova maneira, às ordens do patrão, frequentemente vivenciamos novas e intensas formas de violação ou alienação. Além disso, as condições contratuais e materiais do trabalho imaterial que tendem a se disseminar por todo o mercado de trabalho vêm tornando mais precária a posição do trabalho de maneira geral. Existe por exemplo a tendência, em várias forma de trabalho imaterial, para o obscurecimento da distinção entre horários de trabalho e de não trabalhar, estendendo o dia de trabalho indefinidamente até ocupar toda a vida, e uma outra tendência para o funcionamento do trabalho imaterial sem contratos estáveis de longo prazo, assumindo com isto a posição precária de se tornar flexível (realizar várias tarefas) e móvel (estar constantemente mudando de lugar). Certas características do trabalho imaterial, que tendem a transformar outras formas de trabalho, apresentam um enome potencial para a transformação social positiva. (Paradoxalmente, essas característica positivas são o lado dinâmico das consquências negativas). Em primeiro lugar, o trabalho imaterial tende a sair do mundo limitado do terreno estritamente econômico, envolvendo-se na produção e na reprodução geral da sociedade como um todo. A produção de idéias, conhecimentos e afetos, por exemplo, não cria apenas meis através dos quais a sociedade é formada e sustentada; esse trabalho imaterial também produz diretamente relações sociais. O trabalho imaterial é biopolítico na media em que se orienta para a criação de formas de vida social; já não tende, portanto, a limitar-se ao econômico, tornando-se também imediatamente uma força social, cultural e política. Em última análise, em termos filosóficos, a produção envolvida aqui é a produção de subjetividade, a criação e a reprodução de novas subjetividades na sociedade. Quem somos, como encaramos o mundo, como interagimos uns com os outros: tudo isto é criado através dessa produção biopolítica e social. Em segundo lugar, o trabalho imateiral tende a assumir a forma social de redes baseada na comunicação, na colaboração e nas relações afetivas. O trabalho imaterial só pode ser realizado em comum, e está cada vez mais inventando novas redes independentes de cooperação através das quais produzir. Se sua capacidade de investir e transformar todos os aspectos da sociedade e sua forma em redes colaborativas são duas características extraordinariamente poderosas que o trabalho imaterial vem disseminando para outras formas de trabalho. Essas características podem servir como um esboço preliminar da composição social da multidão que hoje anima os movimentos de resistência ao estado global permanente de guerra.” (HARDT; NEGRI, 2005, p. 100-101).

Alguns aspectos sobre a multidão e o Anonimato

February 23, 2009 Leave a comment

Pensando um pouco sobre a multidão e o anonimato, achei interessante o vídeo, uma produção de alunos da universidade do Kansas, em contraponto com a idéia de  multidão em Hartd e Negri (2005) com a de network individualism de Wellman (2001).

A multidão engloba uma multiplicidade de singularidades e o individualismo em rede nos coloca em meio a um movimento global em que somos capazes de ocupar espaços por meio de nossa subjetividade. O anonimato estaria subjugado e dependente dos relacionamentos que criamos, dos interesses, posturas e do conhecimento que se compartilha em rede, na qual ninguém pode usufruir do privilégio de ser anônimo. Essa é uma questão.

em: HARDT, Michael; NEGRI, Antônio. Multidão: guerra e democracia na era do imperio. Tradução: Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Record, 2005.

“Numa primeira abordagem, devemos distinguir a multidão, em termos conceituais, de outras noções de sujeitos sociais, como o povo, as massas e a classe operária. O povo tem sido tradicionalmente uma concepção unitária. A população, como se sabe, é caracterizada pelas mais amplas diferenças, mas o povo reduz esta diversidade a uma unidade, transformando a população numa identidade única: o ‘povo’ é uno. A multidão, em contrapartida, é multipla. A multidão é composta de inúmeras diferenças internas que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única – diferentes culturas, raças, etnias, gêneros e orientações sexuais; diferentes formas de trabalho; diferentes maneiras de viver; diferentes visões de mundo; e diferentes desejos. A multidão é uma multiplicidade de todas essas diferenças singulares. As massas também se diferenciam do povo, pois tampouco elas podem ser reduzidas a uma unidade ou identidade. As massas certamente são compostas de todos os tipos e espécies, mas não se pode realmente afirmar que diferentes sujeitos sociais formam as massas. A essência das massas é a indiferença: todas as diferenças são submersas e afogadas nas massas. (…) Essas massas só são capazes de mover-se em uníssono porque constituem um conglomerado indistinto e uniforme. Na multidão as diferenças sociais mantêm-se diferentes, a multidão é multicolorida. Desse modo o desafio apresentado pelo conceito de multidão consiste em fazer com que uma multiplicidade social seja capaz de se comunicar e agir em comum, ao mesmo tempo em que se mantém internamente diferente.” (HARDT; NEGRI, 2005m p. 12 e 13).

“A multidão, em contrapartida, é um conceito aberto e abrangente que tanta apreender a importância das recentes mudanças na economia global: por um lado, a classe operária industrial já não desempenha um papel hegemônico na economia global, embora quantitativamente não tenha diminuído em escala planetária; por outro lado, hoje em dia a produção já não pode ser concebida apenas em termos econômicos, devendo ser encarada de maneira mais ampla como produção social – não apenas a produção de bens materiais, ams também a produção de comunicações, relações e formas de vida. A multidão, assim compõem-se potencialmente de todas as diferentes configurações da produção social. Mais uma vez, uma rede distributiva como a Internet constitui uma boa imagem de base ou modelo para a multidão, pois, em primeiro lugar, os vários pontos nodais se mantêm diferentes mas estão todos conectados na redeParece a metáfora do rizoma em Deleuze. , e além disso as fronteiras externas da rede são de tal forma abertas que novos pontos nodais e novas relações podem estar sendo constantemente acrescentados”. (HARDT; NEGRI; 2005, p. 14).

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From Knowledgeable to Knowledge-able

February 15, 2009 Leave a comment

Tratando de educação, mídias e novas habilidades de aprendizagem por parte dos Digital Natives. Podcast do Prof. Michael Wesch, professor de Antropologia Cultural da Universidade do Kansas – EUA.

Desde 2001, Wesch desenvolve um trabalho de digital ethnography por meio da observação e desenvolvimento do exercício de observação a partir dos próprios estudantes universitários. Tal movimento visa expor questões e hábitos acerca das mudanças na ação de aprender; envolvendo temas como autoridade e implicações midiáticas na cultura e na aprendizagem, bem como habilidades de aprender  por meio de uma autonomia emergente nos hábitos dos alunos para discutir, lidar com liberdade, criar conexões, novas formas de compartilhar e aplicar informações disponíveis.

Wesch ressalta a importância dos projetos coletivos não sob o viés (senso comum) da autoridade das fontes de informação, mas como fonte de novas formas de aprender e lidar com o conhecimento por meio de uma liberdade que é parte do perfil desses alunos.

Site do projeto que o professor orienta