Novas morais através do artefatos que somos

Por que é considero importante um estudo sobre a moral e multidão hoje em dia?

Quando penso em moral não busco desenvolver um estudo por certezas, muito menos por contradições, interessa-me o processo capaz de criar lugares móveis de poder e algumas decisões.

Alguns colegas de trabalho acham graça quando falo que meu objeto de estudo é a moral e as redes. Tlavez porque eles lembrem aquela velha moral eclesiástica que de certa forma foi capaz de acompanhá-los de perto em um convívio familiar e em outras relações ou lugares.

Quando abro o reader e clico nas seções de tecnologia dos grandes veículos nacionais e internacionais, observo opiniões e informações sobre artefatos e dispositivos recentes.

Aprendi há uns quatro anos em uma lista de discussão que possui uma certa reputação na Web que, como diziam e continuam referindo-se “tecnologia é mato, o que importa são as pessoas”.

Meu hábito é sempre passar por essas notícias sobre artefatos com uma rapidez imensa, dispensando-as, por assim dizer, sucumbindo apenas o nome do produto, ou a empresa porque o foco da relação é importante e não a novidade em si.

De onde surgem as novas morais? Das formas híbridas que somos capazes de experimentar…

“Meu problema principal, no entanto, é que em cada um dos episódios que examinei um número crescente de humanos se mistura com um número crescente de não-humanos, a ponto de, hoje em dia, o planeta inteiro estar voltado à elaboração de políticas, leis e, para logo (creio eu), moralidade.

A ilusão da modernidade foi acreditar que, quanto mais crescemos, mais se extremam a objetividade e a subjetividade, criando assim um futuro radicalmente diferente do nosso passado. Após a mudança de paradigma em nossa concepção de ciência e tecnologia, sabemos agora que isso nunca ocorrerá e, na verdade, nunca aconteceu. Objetividade e subjetividade não são pólos opostos, elas crescem juntas e crescem irresistivelmente.

Espero que tenha, no mínimo, convencido o leitor que, para entrentar nosso desafio, não deveremos fazê-lo considerando os artefatos como coisas. Eles merecem algo melhor. Merecem ser alojados em nossa cultura intelectual como atores sociais em pleno direito. Os artefatos mediam nossas ações? Não, os artefatos somos nós. O alvo de nossa filosofia, teoria social e moralidade cifra-se em inventar instituições políticas capazes de absorver essa grande história, esse vasto movimento em espiral, esse labirinto, esse fado.” (Latour, 2001, p. 245).

O que refere-se não ao uso da tecnologia, mas a uma certa política em rede de sobrevivência que surge a partir da relação e do que podemos nos tornar, nossa potência e expressão de subjetividade a partir dos artefatos que somos.

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