Fans, Internet, and Specificities of the Brazilian Audience Reception Studies – Fãs, Internet e Especificidades da Audiência Brasileira nos Estudos de Recepção

November 23, 2011 Leave a comment

During the 21 to 23 November 2011 I was on an event held between Rede Globo and the University of Sao Paulo with researchers of telenovela from all over Brazil. The event, open to the public, was held at Live Theatre and was the result of a partnership between the University and Obitel Globo – Brazil – Fiction Television International Observatory, established since 2007.

It was an interesting conversation between researchers and professionals of the Department of Transmedia’s Globe on the receipt from the study of fans and user-generated content on the Internet. The data presented were transferred between the findings of researchers in the work developed over two years and data provided by the issuer, through daily reports of monitoring publications from the audience on the internet.

With many nuances between academia and the market (as scholars have sought to develop new concepts, mainly in Portuguese, to address the transmidiação, professionals stressed the importance of communicative actions return to the station). Differing values ​​between the academy and the market, the discussion was permeated by the voice of the fans that emerged from several studies whose focus was the transmidiação telenovela content to social medias.

Alex Medeiros – Development Manager formats (Globo) and Daniel Pereira – Relations Manager with Consumer (Globo) scored the station’s efforts to enter this conversation with the audience network, providing online content, making contact with bloggers and the content of television fiction desenvolvolvendo to the audience, especially telenovela (character profiles on Twitter, blog and news of characters on the platforms of television fictions). Both stressed the readiness to establish a conversation with the general public of the station (interested in any age, any conversation, all types of hearing). I would also like to emphasize here, the generosity of the professional department of transmedia from Rede Globo who were present throughout the event, sharing with the public during most of the time, a highly theoretical dialogue. As the availability of professional researchers to present to answer many questions.

Alex also stressed the importance of soap as a product number of the issuer and the specifics of your audience in Brazil where an audience of 40 million people “follow” what goes on daily in the plot. By saying “follow” said the character of the telenovela to compose the cultural context of the country, a cultural product that does not necessarily watch or take part, but always know what happens in the plot. In view of this specific feature, you must think of online stock and this particular audience.

This speech made me rethink some aspects of the references that we use in communication studies to talk about transmedia. Initial studies are the result of analysis between the U.S. series and audience participation. A completely different format than what we experience in our country, in which the product is in the air for about 8 months. What the specifics of our audience, Latin American participation in the Internet through the publications of content and interactions with television fiction? And what is the Brazilian Internet.

We have a very open field for interesting studies on the internet in Brazil and this is perhaps more interesting to think as a researcher in international publications. Observe the unique aspects of your audience and creating content form of participation related to our cultural forms and expressions. I think we have to start there. It is against this background that share two sets of references for those interested in studying the Internet and fans, but now looking to “look” more national:

http://www.tiara.org/lj_bib.html

http://www.danah.org/researchBibs/sns.php

Durante os dias 21 a 23 de novembro de 2011 estive reunida em um evento realizado entre a Rede Globo e a Universidade de São Paulo com pesquisadores de ficção televisiva de todo o Brasil. O evento, aberto ao público, aconteceu no Teatro Vivo e foi fruto de uma parceria entre o Globo Universidade e o OBITEL – Brasil – Observatório Internacional da Ficção Televisiva, estabelecida desde 2007.

Foi uma conversa interessante entre pesquisadores e profissionais do Dep. de Transmídia da Globo sobre a recepção, a partir do estudo de fãs e dos conteúdos gerados por usuários na internet. Os dados apresentados transitaram entre as conclusões dos pesquisadores nos trabalhos desenvolvidos ao longo de dois anos e dados fornecidos pela emissora, por meio de relatórios diários de acompanhamento de publicações da audiência na internet.

Com muitas nuances entre a academia e o mercado (enquanto os acadêmicos procuraram desenvolver novos conceitos, principalmente em português, para tratar da transmidiação, os profissionais ressaltavam a importância do retorno das ações comunicativas para a emissora). Entre valores divergentes da academia e do mercado, a discussão foi permeada pela voz dos fãs que emergiram dos diversos trabalhos cujo foco foi a transmidiação de conteúdos da ficção televisiva para as redes sociais.

Alex Medeiros – Gerente de Desenvolvimento de Formatos (Rede Globo) e Daniela Pereira – Gerente de Relações com o Telespectador (Rede Globo) pontuaram os esforços da emissora para entrar nessa conversação em rede com a audiência, disponibilizando conteúdos on-line, estabelecendo contato com blogueiros, bem como o desenvolvolvendo conteúdos da ficção televisiva para a audiência, principalmente a telenovela (perfis de personagens no Twitter, blog de personagens e novidades nas plataformas das ficções televisivas). Ambos ressaltaram a disponibilidade de estabelecer uma conversa com o público em geral da emissora (interessados em qualquer faixa etária, qualquer conversa, todos os tipos de audiência). Aliás, gostaria de ressaltar aqui, a generosidade dos profissionais do departamento de transmídia da Rede Globo que estiveram presentes durante todo o evento, compartilhando com o público, durante grande parte do tempo, de um diálogo extremamente teórico. Assim como na disponibilidade desse profissionais para com os pesquisadores presentes em responder a muitos questionamentos.

Alex ainda ressaltou a importância da telenovela como produto número 1 da emissora e as especificidades de sua audiência no Brasil onde um público de 40 milhões de pessoas “acompanha” diariamente o que se passa na trama. Ao dizer “acompanhar” ressaltou o caráter da telenovela de compor o contexto cultural do país, um produto cultural em que não necessariamente se assiste ou participa, mas sabe-se sempre o que acontece na trama. Tendo em vista essa característica específica, é preciso pensar as ações online e essa audiência peculiar.

Essa fala me fez repensar alguns aspectos das referências bibliográficas que utilizamos nos estudos de comunicação para falar de transmídia. Estudos iniciais são frutos de análises entre as séries americanas e a audiência participativa. Um formato totalmente diferente do que que vivenciamos em nosso país, no qual o produto fica no ar durante aproximadamente 8 meses. Qual as especificidades de nossa audiência, latino americana, na participação na internet por meio das publicações de conteúdos e interações com a ficção televisiva? E o que é a internet brasileira.

Temos um campo muito aberto para estudos interessantes sobre a internet no brasil e talvez isso seja mais interessante ao pensar como pesquisadora nas publicações internacionais. Observar aspectos exclusivos da audiência e sua forma de participação criando conteúdos relacionados às nossas formas e expressões culturais. Acho que temos que começar por aí. E é diante desse contexto que compartilho dois conjuntos de referências bibliográficas para quem se interessa pelo estudo de internet e fãs, mas agora observando com “outros olhos”, mais nacionais:

http://www.tiara.org/lj_bib.html

http://www.danah.org/researchBibs/sns.php

Roy Wagner – The invention of culture

October 19, 2011 2 comments

WAGNER, Roy. (2010) A invenção da cultura. Tradução: Marcela Coelho de Souza e Alexandre Morales. São Paulo: Cosac Naif, 2010. 253p.

O antropólogo como inventor da cultura ao olhar (observar) o outro e a metáfora da comunicação. Uma teoria das motivações.

All human beings are anthropologists, “fieldworkers”. They can control the culture shock of everyday experience through all sorts of “rules”, traditions and facts imagined and constructed. (Wagner, 2010, p. 75).

The anthropologist is one who makes those experiences understandable, to perceive and understand the other through its own way of life. Passes all understanding, symbolization, and thus invented culture. Our and others’.

The concept of the invention as a daily practice, nothing extraordinary: small solutions, workarounds, new productions of meaning, appropriations, criativiadade everyday changes.

The relationship is that it establishes the meaning. Inventions through metaphors and associations. The example of language and marriage. Unlike Saussure, Wagner will say that the sign is not arbitrary, but his invention has become convention many years ago. Today we do not remember most of the association.

Symbolism is an innovative extension of the associations. (Wagner, 2010, p. 80). The importance of context to be innovation.

Dialectic of conventional context and innovation: a society absolutely conventionalized (eg American society), collectivized, there is the deman innovation, individuation. The opposite also occurs. It is a tension. Everything is invented generates demand and movement towards a counter-invention.

Fictions or illusions of the Convention: masking, necessary illusion. We are not always aware.

– Simblização coletivizante: conventional context. Sort, join. Going from the particular to the general. Separate.

– Differentiating Symbolization: imposing radical distinctions and binding to the flow of construction, specify and assimilating contrasting contexts arranged by the Convention. Culture is given, nature is constructed. The meaning is the same referents need to be differentiated.

Obviação Movement (p. 86): dialectic, “the game of figure and background.” While we present something, failed to draw attention to another. Show and hide. Put something in front not to see what is behind.

Objectification (part of obviação) to form a relationship, a product of obviação. Bring up, bring up. as a relationship makes the shape of an object. Scientific research and the construction of the object.

Context control: aim. Cut the flow. Eg people.

Todos os seres humanos são antropólogos, “pesquisadores de campo” capazes de controlar o choque cultural da experiência cotidiana mediante todo o tipo de “regras”, tradições e fatos imaginados e construídos. (WAGNER, 2010, p. 75).

O antropólogo é aquele que torna essas experiências compreensíveis, ao perceber e entender o outro através do seu próprio modo de vida. Toda compreensão passa por uma simbolização, e assim, inventamos a cultura. A nossa e a dos outros.

O conceito de invenção como prática cotidiana, nada extraordinária: pequenas soluções, gambiarras, novas produções de sentido, apropriações, criativiadade cotidiana, transformações.

A relação é que estabelece o significado. Invenções através de metáforas e associações. O exemplo da linguagem e do casamento. Diferente de Saussure, Wagner irá dizer que o signo não é arbitrário, mas sua invenção tornou-se convenção há muitos anos atrás. Hoje não lembramos mais da associação.

O simbolismo é uma extensão inovadora das associações. (Wagner, 2010, p. 80). A importância do contexto para haver inovação.

Dialética do contexto convencional e da inovação: uma sociedade absolutamente convencionalizada (ex. sociedade americana), coletivizada, surge a demanada da inovação, da individuação. O oposto também ocorre. Trata-se de uma tensão. Tudo o que é inventado gera demanda e movimento no sentido de uma contra-invenção.

Ficções ou ilusões da convenção: mascaramento, ilusão necessária. Nem sempre temos consciência.

– Simblização coletivizante: contexto convencional. Classificar, juntar. Ir do particular para o geral. Separar.

– Simbolização diferenciante: imposição de distinçoes radicais e compulsórias ao fluxo da contrução, especificar e assimilar contextos contrastantes dispostos pela convenção. A cultura é dada, a natureza é construída. O sentido é o mesmo, os referentes precisam ser diferenciados.

Movimento de obviação (p. 86): dialética, “jogo da figura e do fundo”. Ao mesmo tempo em que apresentamos algo, deixamos de chamar atenção para outro. Mostra e esconde. Colocar alguma coisa na frente para não vermos o que está por trás.

Objetificação (parte da obviação): dar forma a alguma relação, um produto da obviação. Trazer à tona, fazer aparecer. como uma relação torna a forma de um objeto. Pesquisa científica e a construção do objeto.

Contextos de controle: objetivar. Cortar o fluxo. Ex. pessoas.

Sasha Costanza – Chock on Transmedia Mobilization (2011) – Berkman Center for Internet & Society

March 10, 2011 Leave a comment

Dr. Sasha Costanza-Chock — Berkman Fellow and Assistant Professor of Civic Media at MIT — introduces the theory of transmedia mobilization and invites us to rethink the relationship between social movements and the media opportunity structure. Based on five years of research within the immigrant rights movement in Los Angeles, the theory of transmedia mobilization involves engaging the social base of the movement in participatory media making practices across multiple platforms. This marks a transition in the role of social movement communicators from one of primarily content creation to aggregation, curation, remix, and recirculation of rich media texts through networked movement formations.

Watch the video: Sasha Costanza-Chock on Transmedia Mobilization – Berkman Center for Internet & Society

Novas morais através do artefatos que somos

August 21, 2010 Leave a comment

Por que é considero importante um estudo sobre a moral e multidão hoje em dia?

Quando penso em moral não busco desenvolver um estudo por certezas, muito menos por contradições, interessa-me o processo capaz de criar lugares móveis de poder e algumas decisões.

Alguns colegas de trabalho acham graça quando falo que meu objeto de estudo é a moral e as redes. Tlavez porque eles lembrem aquela velha moral eclesiástica que de certa forma foi capaz de acompanhá-los de perto em um convívio familiar e em outras relações ou lugares.

Quando abro o reader e clico nas seções de tecnologia dos grandes veículos nacionais e internacionais, observo opiniões e informações sobre artefatos e dispositivos recentes.

Aprendi há uns quatro anos em uma lista de discussão que possui uma certa reputação na Web que, como diziam e continuam referindo-se “tecnologia é mato, o que importa são as pessoas”.

Meu hábito é sempre passar por essas notícias sobre artefatos com uma rapidez imensa, dispensando-as, por assim dizer, sucumbindo apenas o nome do produto, ou a empresa porque o foco da relação é importante e não a novidade em si.

De onde surgem as novas morais? Das formas híbridas que somos capazes de experimentar…

“Meu problema principal, no entanto, é que em cada um dos episódios que examinei um número crescente de humanos se mistura com um número crescente de não-humanos, a ponto de, hoje em dia, o planeta inteiro estar voltado à elaboração de políticas, leis e, para logo (creio eu), moralidade.

A ilusão da modernidade foi acreditar que, quanto mais crescemos, mais se extremam a objetividade e a subjetividade, criando assim um futuro radicalmente diferente do nosso passado. Após a mudança de paradigma em nossa concepção de ciência e tecnologia, sabemos agora que isso nunca ocorrerá e, na verdade, nunca aconteceu. Objetividade e subjetividade não são pólos opostos, elas crescem juntas e crescem irresistivelmente.

Espero que tenha, no mínimo, convencido o leitor que, para entrentar nosso desafio, não deveremos fazê-lo considerando os artefatos como coisas. Eles merecem algo melhor. Merecem ser alojados em nossa cultura intelectual como atores sociais em pleno direito. Os artefatos mediam nossas ações? Não, os artefatos somos nós. O alvo de nossa filosofia, teoria social e moralidade cifra-se em inventar instituições políticas capazes de absorver essa grande história, esse vasto movimento em espiral, esse labirinto, esse fado.” (Latour, 2001, p. 245).

O que refere-se não ao uso da tecnologia, mas a uma certa política em rede de sobrevivência que surge a partir da relação e do que podemos nos tornar, nossa potência e expressão de subjetividade a partir dos artefatos que somos.

Pensando em novas sociedades e culturas emergentes…

August 14, 2010 Leave a comment

“Simplicity, complexity, oh what a tragedy,

Reality, insanity, strange normality
Incredible, untouchable, but just visual…

Pensando em novas formas sociais emergentes, já que podemos construir lugares, trocas, relações e culturas em espaços de bits. Novas composições genéticas = determinados e determinantes e sistemas em formação. Há algo assim acontecendo há décadas. A partir de características genéticas, humanas, DNA, dos novos comuns nascendo, regenerando outras redes, excludentes, engredantes como os aspectos do rizoma. Tensões e distensões e aquilo do que o corpo é capaz. Organismos genéticamente modificados (OGM), biossegurança, biopropostas.

O que penso agora são possibilidades de grupos sociais que emergem a partir de um comum de descobertas genéticas, pelas especificações científicas, pelas variações do cromossomo Y, pelas mutações trabalhadas. Quem são aqueles sobreviventes do acidente de Chernobil? Que tipo de cultura foram capazes de criar? E ainda os grupos genéticos que possuem a marca de mutação do cromossomo Y de acordo com Rose ( 2009, p. 25).

“Há duas teorias oficiais, mas contraditórias, sobre a causa do acidente. A primeira foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, exclusivamente, aos operadores da usina. A segunda teoria foi publicada em 1991 e atribuiu o acidente a defeitos no projeto do reator RBMK, especificamente nas hastes de controle. Ambas teorias foram fortemente apoiadas por diferentes grupos, inclusive os projetistas dos reatores, pessoal da usina de Chernobil, e o governo. Alguns especialistas independentes agora acreditam que nenhuma teoria estava completamente certa. Na realidade o que aconteceu foi uma conjunção das duas, sendo que a possibilidade de defeito no reator foi exponencialmente agravado pelo erro humano.”

O que são essas novas organizações sociais preconizadas pelos testes científicos, pela tecnologia na ciência? É possível se criar uma cultura social em meio a isso. A tragédia de se transformar em um comum e novamente reorganizar a sociedade?

The Share Source is About Generosity…

Creating Cultural Change

Do evento Velocity 2010 Web Performance and Operations Conference que ocorreu no final de junho em Santa Clara/CA – John Rauser explica de maneira divertida e suscinta como as mudanças culturais constituem-se em um desafio para facilitar a aceitação das inovações e tecnologias emergentes.