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A produção de subjetividade como um espaço onde dá para se viver

August 13, 2008 Leave a comment

Serão os sonhos espaços únicos onde podemos ser? “Sometimes I dream about reallity!” “Mundo querido alivia-me, sonho de solentiname…”

Fala-se da produção da subjetividade na sociedade da informação:

“A questão que volta aqui, de maneira lacinante, consiste em saber (…) O que irá permitir que estas potencialidades desemboquem enfim numa era pós-mídia, que as livre dos valores capitalísticos segregativos e crie condições par o pleno desabrochar dos esboços atuaias de revolução da inteligência, da sensibilidade e da criação?”(p. 187).

No enunciado acima, a voz sobre a produção de subjetividade é de Guattari em 1993.
” Como falar da produção de subjetividade, hoje? Uma primeira constatação nos leva a reconhecer que os conteúdos da subjetividade dependem, cada vez mais, de uma infinidade de sistemas maquínicos. Nenhum campo de opinião, de pensamento, de imagem, de afectos, de narratividade pode, daqui pra frente, ter a pretensão de escapar à influência invasiva da ‘assistência por computador’, dos bancos de dados, da telemática etc…” ( pg. 177).

Estudando a produção colaborativa mediada de um pequeno grupo de alunos da usp, durante a escrita de um texto coletivo, de repente me preocupei em saber se todos que participaram do processo, ao final do trabalho, poderiam contemplar um pouco de si no coletivo. Ou seja, se ocorreu alguma produção de subjetividade da parte de todos ou apenas dos mais envolvidos no processo.

Essa pergunta é interessante na medida que olho para esse grupo pensando mais no processo e na capacidade de as pessoas se afetarem umas às outras enquanto realizam uma atividade coletiva mediada. Eis aqui um problema complexo. Atores em rede e os processos por eles imbricados apresentam muitas fronteiras com a função “merge” dos quais só poderemos saber algo perguntando ou observando e aqui cabe também a nossa própria subjetividade implícita em qualquer movimento que observamos…

De acordo com Guattari (1993), “as atuais máquinas informacionais e comunicacionais não se contentam em veicular conteúdos representativos, mas que concorrem igualmente para a confecção de novos Agenciamentos de enunciação (individuais e/ou coletivos).” e “todos os sistemas maquínicos, seja qual for o domínio ao qual pertencem – técnico, biológico, semiótico, lógico, abstrato – são, o suporte, por si mesmos, de processos proto-subjetivos que eu qualificaria de subjetividade modular” (p. 178).

Desse ponto em diante Guattari compõe um quadro histórico resumido sobre a produção da subjetividade permeada por sistemas maquínicos de diversos campos do conhecimento desde a Idade da Cristandade Européia, passando pela Idade da Desterritorialização Capitalística dos Saberes e das Técnicas, até chegar à Idade da Informática Planetária. Para ele existem três tipo de enunciados/vozes ou caminhos que podemos observar para verificar a produção de subjetividade ao longo da história:

– As vozes do poder: todos os campos de força que cercam, exercem coerção e vigiam os homens.
– As vozes do saber: Campos do conhecimento.
– As vozes de auto-referência: desenvolvem a subjetividade autofundadora de suas próprias coordenadas.

” (…) essas três vozes, embora inscritas no coração da diacronia histórica e duramente encarnadas nas clivagens e segrações sociológicas, não param de se entrelaçar em estranhos balés, alternando lutas de morte e a promoção de novas figuras” (p. 179).

As vozes de auto-referência são as mais contigenciais, mais singulares, abrigam o mundo na finitude humana, são o “ponto de emergência contínua de toda a forma de criatividade”. (p. 181).

De acordo com o autor, o sistema capitalista prescinde da produção de subjetividade para sobreviver. Resta-nos portanto ocupar um espaço na história que depende de nós para acontecer e expor neles os nossos desejos para que essa produção venha a se multiplicar através de muitas vozes, se apropriar do poder e do saber através de expressões únicas.

Esse texto do Guattari estava inserido em uma Coletânea organizada pelo André Parente – Imágem-Máquina: a era das tecnologias do virtual, da década de 90.

Songs:
*The best of Mano Negra – Sonho de Solentiname

Próxima Estación…Esperanza Mr. Bobby

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Seminário sobre Informação na Internet – 2008 – IBICT

Esse foi o painel e a apresentação que achei mais interessante:

Painel 5 – Políticas Nacionais de Conteúdos Digitais

Enzo Abbagliati Boils – chileno – Título: A Biblioteca Pública como espaço para a geração colaborativa e comunitária de conteúdo local digital – Gestão Participativa. (Essa palestra foi muito interessante). Pergunta: Deve uma biblioteca pública promover a geração de conteúdo local pela comunidade e público local? Incorporar e trabalhar com a comunidade? Citou exemplos de difusão de patrimônio cultural do Chile. Programa BiblioRedes. Atualmente as bibliotecas do Chile adquiriram recursos adicionais através de projetos apresentados pela comunidade e ainda estabeleceram parcerias interessantes inclusive com fundação bill e melinda Gates. Foram criados espaços de interação: Chat. No Chile as políticas de acesso estão implantadas nas Bibliotecas públicas que abrigam metade dos infocentros de projetos de inclusão digital do governo. 82% das pessoas que atendem estão abaixo da linha de pobreza estabelecida no país. Na biblioteca: capacitação das pessoas para publicarem conteúdo digital cultural na web. Contando a história local. Esses conteúdos “culturais locais” alcançam os primeiros acessos no Google. Referência: The deepenning Dibide Van Dijk – Identidades na Era Digital. Yochai Benkler: A riqueza das redes. Definição dos temos de produtividade. Las Nuevas redes como espacios de poder distribuído: Davi de Ugarte. Rede centralizada, rede descentralizada, rede distribuída. A criação de conteúdo local auxilia na apropriação da tecnologia social. Participação na tomada de decisões, elemento revolucionário, permite a conversação.