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Redes – Coletivos

December 2, 2008 Leave a comment

“Com Latour, a ciência e a técnica são concebidas,
assim como qualquer outra entidade, como emergentes
de um coletivo heterogêneo, de um híbrido de homens
e coisas. A noção de sociedade como reunião de
indivíduos é frontalmente rejeitada, uma vez que esta
é composta não apenas de indivíduos, mas de uma
infinidade de materiais heterogêneos. Para o autor,
somente algumas sociedades animais, como a dos
babuínos – primatas que possuem apenas o próprio
corpo como dispositivo de intervenção social -, podem
se prestar à definição acima5. Embora haja distinções
entre os materiais, Callon e Law advertem que todos
são essenciais na dinâmica do coletivo, afirmando que
“todos esses materiais contribuem à criação e à
transformação da ordem social” (Callon & Law, 1997,
p. 101).
Toda entidade é uma rede, e todas as entidades
são co-extensivas e indiscerníveis das redes de que
participam. Os autores concluem que Pasteur, assim
como qualquer outro cientista ou engenheiro, é “uma
rede de relações associando uma grande variedade de
elementos heterogêneos entre os quais ele traça um
compromisso” (Callon & Law, 1997, p. 103). Para
entender isto, basta acompanhar a gênese, o processo
de constituição dessas entidades, ao invés de
considerá-las já acabadas e com fronteiras firmemente
estabelecidas. Basta traçar seu processo de tradução,
entendido como o movimento que coloca os seres em
relação. Toda entidade é efeito de um processo de
composições e associações, cuja totalização é somente
aparente ou transitória.

Definir as entidades que compõem os coletivos
como redes significa defini-las como efeito de
processos de composições e associações que lhes
conferem formas sempre provisórias.

De: Psicologia em Estudo, Maringá, v. 10, n. 2, p. 295-304, mai./ago. 2005

Autoras: Liliana da Escóssia
Virgínia Kastrup

Excertos Bruno Latour

November 12, 2008 Leave a comment

Trechos retirados de: LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Tradução Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34.

DAS MULTIDÕES

“Como dar  às multidões ilegítimas uma representação, uma linhagem, um estado civil? Como explorar esta terra incógnita que, entretanto, nos é tão familiar? Como ir do mundo dos objetos ou dos sujeitos àquilo que chamei de quase-objeto ou quase-sujeitos? Como passar da natureza transcendente/imanente a esta natureza, igualmente real, mas extraída do laboratório e depois transformada em realidade exterior? Como deslizar da sociedade imanente/transcendente rumo aos coletivos humanos e de não-humanos? (…) Como atingir as redes, estes seres de topologia tão curiosa e de ontologia ainda mais estranha, nos quais residem as capacidades de conectar e de separar, ou seja, de produzir o espaço e o tempo? Como pensar o Império do Centro? Já disse, precisamos traçar ao mesmo tempo a dimensão moderna e a dimensão não moderna, desdobrar a latitude e a longitude que irão permitir o traçado de mapas adaptados ao trabalho de mediação e purificação.” [página 76].

“Ocorre, com as grandes massas da natureza e da sociedade, o mesmo que ocorre com os continentes resfriados na tectônica das placas. Se desejamos compreender seu movimento, precisamos descer nessas fendas em chamas onde o magma irrompe e a partir do qual serão produzidas, muito mais tarde e mais longe, por resfriamento e empilhamento progressivo, as duas placas continentais sobre as quais nossos pés estão firmemente fixados. Nós também devemos descer e aproximar-nos desses lugares onde são criados os mistos que irão tornar-se, muito mais tarde, coisas naturais ou sociais.” [página 86]

DO IMPÉRIO DO MEIO

“Se estamos tentando desdobrar o Império do Meio em si, somos obrigados a inverter a forma geral das explicações. O ponto de clivagem e encontro torna-se o ponto de partida. As explicações não partem mais das formas puras em direção aos fenômenos, mas sim do centro em direção aos extremos. Estes últimos não são mais o ponto de apoio da realidade, mas sim resultados provisórios e parciais. As camadas dos intermediários são substituídas por cadeias de mediadores, de acordo com o modelo proposto por Antoine Hennion, que serve como base para este ensaio (Hennion, 1991). (…) O que mostra o quanto o sentido da palavra mediação difere do sentido de intermediário ou de mediador – definido como aquilo que difunde ou desloca um trabalho de produção ou de criação que dele escaparia (Debray, 1991).” [página 77].

“(…) este deslizamento dos extremos rumo ao centro e para baixo, que faz girar tanto o objeto quanto o sujeito em torno da prática dos quase-objetos e dos mediadores. Não precisamos apoiar nossas explicações nestas duas formas puras, o objeto ou o sujeito-sociedade, já que elas são, ao contrário, resultados parciais e purificados da prática central, a única que nos interessa. São produto do craking purificador, e não sua matéria-prima. A natureza gira, de fato, mas não ao redor do sujeito-sociedade. Ela gira em torno do coletivo produtor de coisas e de homens. O sujeito gira, de fato, mas não em torno da natureza. Ele é obtido a partir do coletivo produtor de homens e de coisas. O Império do Centro se encontra, enfim, representado. As naturezas e sociedades são os seus satélites.” [página 78].

“Natureza e sociedade não são mais os termos explicativos, mas sim aquilo que requer uma explicação conjunta Latour (1989).

SOBRE MODERNIDADE

“Os modernos desenvolveram quatro repertórios diferentes, que acreditavam ser incompatíveis, para acomodar a proliferação dos quase-objetos. O primeiro repertório trata da realidade exterior de uma natureza da qual não somos mestres, que existe fora de nós e que não conta nem com nossas paixões nem com nosso desejo, ainda que sejamos capazes de mobilizá-la e de construí-la. O segundo repertório trata do laço social, daquilo que liga os humanos entre si, das paixões e desejos que nos agitam, das forças personificadas que estruturam a sociedade – a qual nos ultrapassa, ainda que seja construída por nós. O terceiro trata da significação e do sentido, dos actantes que compõem as histórias que contamos uns aos outros, das provas que eles enfrentam, das aventuras que atravessam, dos tropos e dos gêneros que os organizam, das grandes narrativas que nos dominam infinitamente, ainda que sejam simultaneamente texto e discurso. O quarto, enfim, fala do ‘Ser’, e desconstrói aquilo de que nos esquecemos quando nos preocupamos apenas com o entre, ainda que a diferença do Ser esteja distribuída pelos entes, co-extensivos à sua própria existência.

Estes recursos só são incompatíveis na versão oficial da Constituição. Na prática, é difícil distinguir os quatro. Misturamos, sem o menor pudor, nossos desejos com as coisas, o sentido com o social, o coletivo com as narrativas. A partir do momento em que seguimos de perto qualquer quase-objeto, este nos parece algumas vezes como coisa, outras como narrativa, outras ainda como laço social, sem nunca reduzir-se a um simples ente.” [página 87].

“Nada prova que estes recursos continuem a ser incompatíveis quando passamos das essências aos acontecimentos, da purificação à mediação, da dimensão moderna à dimensão não moderna, da revolução à contra-revolução copernicana. Vamos dizer apenas que os quase-objetos quase-sujeitos traçam redes. São reais, bem reais, e nós humanos não os criamos. Mas são coletivos, uma vez que nos ligam uns aos outros, que circulam por nossas mãos e nos definem por sua própria circulação. São discursivos, portanto, narrados, históricos, dotados de sentimento e povoados de actantes com formas autônomas. São instáveis e arriscados, existenciais e portadores de ser. Esta ligação dos quatro repertórios nos permite construir uma morada vasta o bastante para que nela abriguemos o Império do Centro, a verdadeira morada comum do mundo não moderno e, ao mesmo tempo, de sua Constituição. [página 88].

DOS INTERMEDIÁRIOS AOS MEDIADORES

“Em seguida, através da multiplicação dos intermediários, deveríamos aproximar aquilo que separamos. Verbos revelar, representar, materializar, compreensão, interpretação, aceitação…

“A sociedade sempre foi composta pelos mesmos recursos, mesmos interesses, mesmas paixões. Na perspectiva moderna, a natureza e a sociedade permitam a explicação porque elas, em si, não precisam ser explicadas. Existem, é claro, os intermediários cujo papel é justamente o de criar uma ligação entre as duas, mas estes só podem criar as ligações porque, justamente, não possuem qualquer dignidade ontológica. Nada fazem além de transportar, veicular, deslocar a potência dos dois únicos seres reais, natureza e sociedade. Claro, podem transportar mal, podem ser infiéis ou obtusos. Mas esta falta de fidelidade não lhes dá nenhuma importância própria, uma vez que é ela quem prova, pelo contrário, seu estatudo de intremediário. Eles não possuem competência original. Na pior das hipóteses, são bestas ou escravos, e na melhor, servidores leais.” [página 79].

“Tornam-se mediadores, ou seja atores dotados da capacidade de traduzir aquilo que eles transportam, de redefini-lo, desdobrá-lo, e também traí-lo. Os servos tornaram-se cidadãos livres.” [página 80].

“A ontologia dos mediadores, portanto, possui uma geometria variável. O que Sartre dizia dos humanos, que sua existência precede sua essência, é válido para todos os actantes, a elasticidade do ar, a sociedade, a matéria e a consciência. (…) A essência do vácuo é a trajetória que liga todas elas. [página 84]

Transcendência e Imanência na Modernidade

October 23, 2008 Leave a comment

Em Jamais fomos modernos, Bruno Latour (2008), primeira edição de 1994 (São Paulo: Editora 34), define o projeto da modernidade através da transcendência e da imanência, para mostrar os paradoxos de tal projeto histórico:

Antes verifiquemos alguns sentidos das palavras transcedente e imanente de acordo com o dicionário Aurélio.

transcendente
[Do lat. transcendente.]
Adjetivo de dois gêneros.
1.Que transcende; muito elevado; superior, sublime, excelso:
virtudes transcendentes.
2.Que transcende do sujeito para algo fora dele.
3.Que transcende os limites da experiência possível; metafísico. [Sin., nessas acepç.: transcendental.]
4.Filos. Que se eleva além de um limite ou de um nível dado.
5.Filos. Que não resulta do jogo natural de uma certa classe de seres ou de ações, mas que supõe a intervenção de um princípio que lhe é superior. [Opõe-se, nesta acepç., a imanente (2).]
6.Filos. Que ultrapassa a nossa capacidade de conhecer.
7.Filos. Que é de natureza diversa da de uma dada classe de fenômenos. ~ V. curva —, equação —, finalidade —, função —, número — e operação —.
Substantivo masculino.
8.Aquilo que é transcendente.
9.Mat. Número transcendente.

imanente
[Do lat. immanente, part. pres. de immanere.]
Adjetivo de dois gêneros.
1.Que existe sempre em um dado objeto e inseparável dele:
“Noutra passagem das églogas ele [Camões] se serviu se não da própria imagem da morte pelo menos da alusão a um fenômeno equivalente para exprimir em termos de arte o niilismo imanente a todas as experiências de amor.” (Cristiano Martins, Camões, p. 64.)
2.Filos. Que está contido em ou que provém de um ou mais seres, independentemente de ação exterior. [Opõe-se a transcendente (5).]
3.Filos. Diz-se daquilo de que um ser participa, ou a que um ser tende, ainda que por intervenção de outro ser. ~ V. ação — e finalidade —.

Primeiro Paradoxo da Modernidade:

– A natureza não é uma construção nossa: ela é transcendente e nos ultrapassa infinitamente.
– A sociedade é uma construção nossa: ela é imanente à nossa ação.

Segundo Paradoxo da Modernidade:

– Nos construímos artificialmente a natureza no laboratório: ela é imanente.
– Não construímos a sociedade, ela é transcendente.

Constituição da Modernidade:

Primeira Garantia: ainda que sejamos nós que construímos a natureza, ela funciona como se nós não a construíssemos.

Segunda Garantia: ainda que não sejamos nós que construímos a sociedade, ela funciona como se nós a contruíssemos.

Terceira Garantia: a natureza e a sociedade devem permanecer absolutamente distintas; o trabalho de purificação deve permanecer absolutamente distinto do trabalho de mediação.

(LATOUR, 2008, p. 37)

“Hoje, quando as capaciades críticas dos modernos se esgotam, é conveniente medir, pela última vez, sua prodigiosa eficácia.” [página 41]

“Solidamente apoiado sobre a certeza transcendental das leis da natureza, o moderno pôde criticar e desvendar, denunciar e se indignar frente às crenças irracionais e às dominações não justificadas. Solidamente apoiado sobre a certeza de que o homem constrói seu próprio destino, o moderno pôde criticar e desvendar, denunciar e se indignar frente às crenças irracionais, às idelogias científicas, à dominação não justificada dos especialistas que pretendiam traçar limites à ação e à liberdade.” [página 42]

“Por crer na separação total dos humanos e dos não-humanos, e por simultaneamente anular esta separação, a Constituição tornou os modernos invencíveis. Se você os criticar dizendo que a natureza é um mundo construído pelas mãos dos homens, irão mostrar que ela é transcendente e que eles não a tocam. Se você lhes disser que a sociedade é transcendente e que suas leis nos ultrapassam infinitamente, irão dizer que somos livres e que nosso destino está apenas em nossas mãos. Se você fizer uma objeção dizendo que estão usando duplicidade, irão mostrar que não misturaram nunca as leis da natureza e a imprescritível liberdade humana.

Se você acreditar neles e desviar sua atenção, irão aproveitar para introduzir milhares de objetos naturais no corpo social, dotando-o da solidez das coisas naturais. Se você se virar bruscamente, como na brincadeira de infantil ‘estátua’!, eles ficarão paralisados, com ar inocente, como se não tivessem se mexido: à esquerda, as coisas em si; à direita, a sociedade livre dos sujeitos falantes e pensantes. Tudo acontece no meio, tudo transita entre as duas, tudo ocorre por mediação, por tradução e por redes, mas este lugar não existe, não ocorre. É o impensado, o impensável dos modernos. Qual outra forma de estender os coletivos seria melhor do que juntar tanto a transcendência da natureza quanto a total liberdade humana, incorporando ao mesmo tempo a natureza e limitando de forma absoluta as margens de liberdade? Isto permite, na verdade, que se faça tudo e também o contrário” [páginas 42 e 43]

Bruno Latour, a crise da crítica e o projeto perdido da modernidade:

October 12, 2008 2 comments

Esse post fica melhor acompanhado do Empty – do Tryad

“Os críticos desenvolveram três repertórios distintos para falar de nosso mundo: a naturalização, a socialização, a desconstrução. Digamos, de forma rápida e sendo um pouco injustos, Changeux, Boudieu, Derrida. Quando o primeiro fala de fatos naturalizados, não há mais sociedade, nem sujeito, nem forma do discurso. Quando o segundo fala de poder sociologizado, não há mais ciência, nem técnica, nem texto, nem conteúdo. Quando o segundo fala de poder sociologizado, não há mais ciência, nem técnica, nem texto, nem conteúdo. Quando o terceiro fala de efeitos de verdade, seria um atestado de grande ingenuidade acreditar na existência real dos neurônios do cérebro ou dos jogos de poder. Cada uma destas formas de crítica é potente em si mesma, mas não pode ser combinada com as outras. Podemos imaginar um estudo que tornasse o buraco de ozônio algo naturalizado, sociologizado e desconstruído?” (LATOUR, 2008, p. 11)

Na cidade, havia um grupo de dança que estava apresentando a peça “Capitães da Areia”, baseado na obra de Jorge Amado. Todos sabiam o dia e a hora do espetáculo. Aquela era uma noite de lua cheia, e fui assistir também. Na parte mais sensual, quando o personagem “Gato” tem uma noite de amor com a prostituta Dalva, ouvi uma música do maestro Villa Lobos que nunca mais consegui esquecer…Ao final, entrevista no telão com Gilberto Gil que havia composto algumas músicas especialmente para a apresentação.

Fiquei pensando o que um grupo mineiro tinha que se meter a apresentar um espetáculo de uma autor baiano, com composições do Gilberto Gil e músicas do villas.

“Olha, ainda bem que acabou, eu não aguentava mais aquelas oficinas…duravam o final de semana inteiro. A gente chorava e a gente ria, sentia raiva depois, todos os sentimentos juntos…não foi fácil”. (depoimento de uma das bailarinas).

“Mas ficou muito lindo, ficou uma coisa profissional mesmo!” (resposta da jornalista e prima à bailarina, no camarim).

Fui embora pensando naquilo, com a seriedade que qualquer pessoa de vinte anos julga ter. O espetáculo havia ficado realmente bom. Rapidamente, aquele pequeno grupo iniciou turnê pelo Brasil e em países da Europa como Suécia e Alemanha.

Um dia tudo acabou, era hora de falar de outra coisa. Algumas das pessoas o grupo que conheço continuam dançando até hoje. Outras pararam…e nunca mais foram iguais.

Na estética das redes, em associações sociotécnicas em que vivemos, a incerteza é o pattern que vigora… foi assim em todas as épocas históricas, mas agora não podemos evitar de ver, caiu o medo da incerteza pela realidade que ela desperta e confronta em nossas fronteiras.

Admitir esse movimento, principalmente nas relações, pode ser terrível e representar uma grande ameaça para alguns…mas como? se sempre foi assim…no fundo, a metáfora Baumática do “amor líquido” e da “modernidade líquida” e sejam quais líquidos mais forem, só fazem retratar algo que nunca existiu: o amor moderno e a sociedade moderna.

Fontes e Críticas:

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos.Tradução: Carlos Irineu da Costa. 4 ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 2008.

O Poder da In-Definição de Grupo Social em Bruno Latour

LATOUR, Bruno (2005). Reassembling the social: an introduction to actor-network-theory. New York: Oxford.

Reunindo os conceitos sobre fatos socias e a constituição de grupos sociais, Bruno Latour abre espaço para o desarranjo social, a desorganização, o caos social e a auto-organização emergente em uma introdução à teoria do ator em rede.

“In the alternative view, ‘social’ is not some glue that could fix everything including what the other flues cannot fix; it is what is glued together by many other type of connectors.(…) it’s perfectly acceptable to designate by the same word a trail of associations between heterogeneous elements.( LATOUR, 2005, p. 5)

A sociologia seria um estudo de associações e dos tipos de conexões e pelo fato de englobar elementos heterogêneos, fonte de inovações, estudo das inovações, contradições, um estudo de um movimento.(6)

Na definição de grupo social através daqueles que falam sobre a existencia do grupo, dizendo quem são eles, o que eles devem ser, o que eles têm sido. “Groups are not silent things, but rather the provisional product of a constant uproar made by the millions of contradictory voices about what is a group and who pertains to what” (LATOUR, 2005, p. 31)

O tipo de grupo social vai se redefinindo em suas tarefas, por isso é importante não categorizar o contexto social ou o grupo social. os atores é que vão mostrando ações e caminhos.(32)

A definição do grupo se dá pelos limites e contradições que estabelece quanto ao que não pertence ao grupo. Grupos sociais são movimentos que tendem a desaparecer e se formar novamente. Não são fixos. (32) Definição de grupo social performativa, que vem pelo trabalho, por isso é instável e utiliza ferramentas. (34-35)

Ação social: “Action should remain a surprise, a mediation, an event. Baseado numa incerteza (45)

” An ‘actor’ in the hyphenated expression actor-network is not the source of an action but the moving target of a vast array of entities swarming toward it.(…) To use the word ‘actor’ means that it’s never clear who and what is acting when we act since an actor on stage is never alone in acting” (LATOUR, 2005, p. 46).

“By definition, action is dislocated. Action is borrowed, distribuited, suggested, influenced, dominated, betrayed, translated.” (46)

A ação como Agenciamentos, ação de atores-mediadores-concatenados e o comportamento coletivo com sua origem na influência dessa rede de relacionamentos.(59)

Ação dislocal – deslocamento em (François Cooren, 2001) The Organizing Property of Communication

Actor-Mediator

Sobre a mobilidade, o descontrole e a potência da sociedade em rede, Tarde pensa na influência da opinião de uns sobre os outros enquanto Latour pensa em uma concatenação de mediadores.

Os atores seriam antes de tudo mediadores que transmitiriam o impulso de uma ação para outros mediadores:

Nesse caso a ação social seria “dislocal, it doesn´t pertain to any specific site; it is distribuited, variegated, multiple, dislocated and remains a puzzle for the analysts as well as for the actors.” (Latour, 2005: 58) Assim sendo, não devemos apenas pensar na causa das ações sociais, mas em seus potenciais efeitos.

“Thus, the key question for a social sciense is to decide were there ‘in potentia’ , or whether it tries to replace as many causes as possible by a series of actors – such is the technical meaning that the word ‘network’ will later take.” (Latour, 2005: 59).

Neste tipo de análise, tanto o pesquisador quanto o ator estão inseridos no objeto de pesquisa. E são os atores os que têm maior legitimidade para falar sobre suas ações.

Latour, Bruno. (2005) Reassembling the social: an introducion to actor-network-theory. New York: Oxford Press.