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Univocidade, Diferença e Distribuição – a questão das hierarquias e do poder nômade

January 7, 2009 1 comment

A univocidade do Ser não exclui a diferença em suas representações. O unívoco é o plano da ação. A diferença está na distribuição de poder numa mesma circunstância de imersão onde acontece uma partilha nômade, dependente do movimento da apropriação do espaço. Aquele que ‘salta’.

A rede proporciona saltos, admite a potência da repetição para gerar movimentos novos. Os espaços são importantes, principalmente pensar as fronteiras com seu caos aparente, suas lutas e mortes, vazadas, permitem pensar  inovações,  já que elas não se propagam dos centros e nem das hierarquias estabelecidas.

Pensar em inovação e comunidades, a partir do ponto de vista da gestão da organização, é quase apontar uma contradição. A inovação vem da experiência do uso, da repetição, e não do raciocínio da analogia, da organização ou do mando. A distância é tão grande entre a gestão e o público que são necessárias pesquisas de cunho antropológico para mediação ou tradução de situações entre as partes. Se a gestão depende da inovação para se manter no mercado,  com quem está o poder então…

Tem um antropólogo e historiador amigo meu que diz: “- Quando vira igreja, perde-se o melhor da fé…sua capacidade genuína de transformação da realidade.” Talvez sistematizar processos não seja uma boa solução quando se trata de “pesquisa e desenvolvimento” ou “processos de inovação”, mas observá-los, sim, obervar os fenômenos sociais e perceber neles o seu movimento constante, as crenças e os desejos de seus atores, expressos em nuances silenciosos de suas atividades diárias…

Trechos de: DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. 2 ed. Tradução: Luiz Orlandi e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 2006.

Presses Universitaires de France, 1968 – Différence et Répetition

“Só houve uma proposição ontológica: o Ser é unívoco”. (DELEUZE, 2006, p. 65).

“O importante é que se possa conceber vários sentidos formalmente distintos, mas que se reportam ao ser como a um só designado, ontologicamente uno. (…) Com efeito, o essencial na univocidade não é que o Ser se diga num único sentido. É que ele se diga num único sentido de todas as suas diferenças individuantes ou modalidades intrínsecas. O ser é o mesmo para todas estas modalidades, mas estas modalidades não são as mesmas. ” (DELEUZE, 2006, p. 66).

As diferenças entre hierarquia e distribuição de poder no ser unívoco: Os Dois Tipos de Distribuição

“Sem dúvida, ainda há no ser unívoco uma hierarquia e uma distribuição concernentes aos fatores individuantes e seu sentido. Mas distribuição e mesmo hierarquia têm duas acepções completamente diferentes, sem conciliação possível (…)” (DELEUZE, 2006, p. 67).

“Há por outro lado, uma distribuição totalmente diferente desta, uma distribuição que é preciso chamar de nomádica, um nomos nômade, sem propriedade, sem cerca, sem medida. Aí já não há partilha de um distribuído, mas sobretudo repartição daqueles que se distribuem num espaço aberto ilimitado ou, pelo menos, sem limites precisos. Nada cabe ou pertence a alguém, mas todas as pessoas estão dispostas aqui e ali, de maneira a cobrir o maior espaço possível. Mesmo quando se trata de seriedade da vida, dir-se-ia haver aí um espaço de jogo, uma regra de jogo, em oposição ao espaço como ao nomos sedentários. Preencher um espaço, partilhar-se nele, é muito diferente de partilhar o espaço. É uma distribuição de errância e mesmo de ‘delírio’, em que as coisas se desdobram em todo o extenso de um ser unívoco e não-partilhado. Não é o ser que se partilha segundo as exigências da representação; são todas as coisas que se repartem nele na univocidade da simples presença (Uno-Todo). Tal distribuição é mais demoníaca que divina, pois a particularidade dos demônios [segundo o pensamento filosófico grego] é operar nos intervalos entre os campos de ação dos deuses, como saltar por cima das barreiras ou das cercas confundindo as propriedades. (…) O salto testemunha, aqui, os distúrbios subversivos que as distribuições nômades introduzem nas estruturas sedentárias da representação. O mesmo deve ser dito da hierarquia. Há uma hierarquia que mede os seres segundo seus limites e segundo seu grau de proximidade ou distanciamento em relação a um princípio. Mas há também uma hierarquia que considera as coisas e os seres do ponto de vista da potência: não se trata de graus de potência absolutamente considerados, mas somente de saber se um ser ‘salta’ eventualmente, isto é, ultrapassa seus limites, indo até o extremo daquilo que pode, seja qual for o grau. Dir-se-á que ‘até o extremo’ define ainda um limite. Mas o limite, (…) já não designa aqui que mantém a coisa sob uma lei, nem que a termina ou a separa, mas, ao contrário, aquilo a partir do que ela se desenvolve e desenvolve toda a sua potência; a hybris deixa de ser simplesmente condenável e o menor torna-se igual ao maior, desde que não seja separado daquilo que pode. Esta medida envolvente é a mesma para todas as coisas, a mesma também para a substância, a qualidade, a quantidade, etc., pois ela forma um só máximo, em que a diversidade desenvolvida de todos os graus atinge a igualdade que a envolve. Esta medida ontológica está mais próxima da desmesura das coisas que da primeira medida; esta hierarquia ontológia está mais próxima da hybris e da anarquia dos seres que da primeira hierarquia. Ela é o monstro de todos os demônios. Então, as palavras ‘Tudo é igual’ podem ressoar, mas como palavras alegres, com a condição de se dizê-las do que não é igual neste Ser igual unívoco: o ser igual está imediatamente presente em todas as coisas, sem intermediário nem mediação, se bem que as coisas se mantenham desigualmente neste ser igual. Mas todas estão numa proximidade absoluta ali onde a hybris as situa e, grande ou pequena, inferior ou superior, nenhuma delas participa mais ou menos do ser ou o recebe por analogia. Portanto, a univocidade do ser significa também a igualdade do ser. O Ser unívoco é, ao mesmo tempo, distribuição e anarquia coroada.” (DELEUZE, 2006, p. 68 e 69).

Idéia e Potência em Spinoza

August 27, 2008 Leave a comment

O pouco que aprendi sobre Spinoza, aprendi lendo Deleuze.

Muitas pessoas que falam que ler Deleuze é complicado, mas também o pouco que li, pareceu-me extremamente didático ao tratar do assunto que estava expondo, professor mesmo em seu jeito de escrever.

Portanto, segundo Deleuze:

O livro principal de Spinoza é “Ética” – escrito em latim e disponível para dowload em espanhol no link.

Nele trata-se de:

Affectio: afecção – que significa alteração de faculdade receptiva que revela seu modo próprio de receber e transformar impressões. (De acordo com o Dicionário Aurélio).

Affectus: afeto – que significa (1) afeição por alguém; inclinação, simpatia, amizade, amor:; (2) O elemento básico da afetividade.

O que é uma idéia?

– Toda idéia possui uma realidade objetiva:, a idéia é um modo de pensamento que representa alguma coisa.

Em contraposição: afeto (affectus) é todo pensamento que não representa nada – tipo “sentimentos”, “vontades”.

Por isso todo afeto pressupõe, antes, uma idéia. Para se sentir alguma coisa e saber o que se está sentindo devemos, antes, ter uma idéia do que sentimos.

A idéia vem antes do afeto cronologicamente e logicamente. É o primado dos modos representativos sobre os modos não-representativos.

Entretanto, esse primado não significa uma redução do afeto perante a idéia, pois são duas espécies de modos de pensamento que diferem em natureza. São irredutíveis um ao outro, mas que possuem uma relação “por mais confusa que seja”.

– Toda idéia possui também uma realidade formal que seria a idéia da idéia, seu caráter intrínseco. É a relação da idéia com o que ela representa. Por isso há diferença de idéias, devido à sua realidade formal. A idéia de “Pai” é diferente da idéia de “mesa”, por exemplo. Nesse caráter intrínseco está embutido um grau de realidade ou de perfeição que a idéia envolve nela mesma. Enfim, toda idéia é alguma coisa.

Deleuze comenta sobre o método geométrico de exposição de Spinoza, sob a forma de proposições e demonstrações, nos livros II e III da Ética.

O que podemos tirar de concreto disso?

Acontece que durante a nossa vida, nossas idéias se sucedem constantemente. E de acordo com Spinoza, a vida “trata-se pois de uma série de sucessões, de coexistências de idéias, sucessões de idéias.”

Automaton – as idéias se afirmam em nós e não nós temos idéias.

Vivemos em “variações” perpétuas: – Variação da minha força de existir. Pode ser aumentada/favorecida ou inibida/impedida.

“Vis existente” – força de existir.
“Potentia agendi” – potência de agir.

Na relação idéia e afeto é que acontece a variação na minha força de existir. “(…) há uma variação contínua, sob a forma de aumento – diminuição – aumento – diminuição, da potência de agir ou da força de existir de alguém de acordo com as idéias que ele tem”.

Affectus [afeto] em Spinoza é a variação contínua da força de existir na medida em que essa variação é determinada pelas idéias que se tem.

Outro texto interessante mencionado por Deleuze que não tenho certeza se está na Ética – “Definição geral dos afetos” – Spinoza.

Eu, de maneira humilde, não diria de acordo com as idéias que ele tem, mas de acordo com as idéias que se aproximam ou que emergem nele.

“à medida que uma idéia substitui a outra, eu não cesso de passar de um grau de perfeição a outro, mesmo que [a diferença] seja minúscula, e é essa espécie de linha melódica da variação contínua que irá definir o afeto [affectus] ao mesmo tempo na sua correlação com as idéias e em sua diferença de natureza com as idéias”.

Ou seja, é sempre bom andarmos com pessoas que nos provoquem boas idéias, afeto, senão ficamos tristes e a nossa potência de existir diminui…Isso pode funcionar muito quando pensamos na influência das pessoas nas redes sociais.

“(…) sobretudo não creiam que o affectus, tal como eu o concebo, depende de uma comparação entre as idéias. Ele quer dizer que a idéia pode muito bem ser primeira em relação ao afeto, mas idéia e afeto são duas coisas de natureza diferente; o afeto não se reduz a uma comparação intelectual das idéias, o afeto é constituído pela transição vivida ou pela passagem vivida de um grau de perfeição a outro, na medida em que essa passagem é determinada pelas idéias (…)”

Diferença e Repetição – Gilles Deleuze

DELEUZE, Gilles. (1988). Diferença e repetição. Tradução: Luiz Orlandi, Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal.

Esse livro é a tese de doutorado do autor e a data da primeira publicação é de 1968.
Nele, Deleuze trata da inovação segundo a teoria sociológica de Gabriel Tarde e ondas de repetição através das quais, pela confluência de fatores, emerge a idéia.

Na Introdução:

Mas o conceito de diferença (Idéia) não se reduz a uma diferença conceitual, assim como a essência positiva da repetição não se reduz a uma diferença sem conceito“. (60) Grifo do autor.

“Na realidade, enquanto se inscreve a diferença no conceito em geral, não se tem nenhuma Idéia singular da diferença, permanecendo-se apenas no elemento de uma diferença já mediatizada pela representação. Encontramo-nos, pois, diante de duas questões: qual é o conceito da diferença – que não se reduz à simples diferença conceitual, mas que exige uma Idéia própria, como uma singularidade na Idéia? Qual é, por outro lado, a essência da repetição – que não se reduz a uma diferença sem conceito, que não se confunde com o caráter aparente dos objetos representados sob um mesmo conceito, mas que, por sua vez, dá testemunho da singularidade como potência da Idéia? O encontro das duas noções, diferença e repetição, não pode ser suposto desde o início, mas deve aparecer graças a interferências e cruzamentos entre estas duas linhas concernentes, uma, à essência da repetição, a outra à idéia de diferença.” (DELEUZE, 1988, p. 61).

Poder em Deleuze

DELEUZE, Gilles; GUATARRI, Félix. (1996) Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Tradução: Aurélio Gerra Neto, Ana Lúcia de Oliveira, Lúcia Cláudia Leal e Suely Rolnik. Rio de Janeiro: Editora 34. v.3.

Esta postagem trata da forma com que Deleuze entende o poder. Combina com a forma de ver o poder em Foucault e em Gabriel Tarde. A questão da microfísica e da microsociologia, Tarde falava em átomos, Deleuze fala em moléculas. O princípio é o mesmo. A massa como um conjunto micro de relacionamentos que acabam por determinar o seu grande movimento na sociedade. Nesse texto Deleuze é bem didático, e fala sobre a microssociologia de Gabriel Tarde.

9. 1933 – Micropolítica e Segmentaridade. (Tradução de Suely Rolnik)

” Em suma, tudo é político, mas toa política é ao mesmo tempo macropolítica e micro política. Consideremos conjuntos do tipo percepção ou sentimento: sua ornanização molar, sua segmentaridade dura, não impede todo um mundo de microperceptos insconscientes, de afectos inconscientes, de segmentações finas, que não captam ou não sentem as mesmas coisas, que se distribuem de outro modo, que operam de outro modo. Uma micropolítica da percepção, da afecção, da conversa, etc. (…)” (90)

” E as próprias classes sociais remetem a “massa” que não têm os mesmos objetivos, nem as mesmas maneiras de lutar. As tentativas de distinguir massa e classe tendem efetivamente para este limite: a noção de massa é uma noção molecular, procedendo por um tipo de segmentação irredutível à segmentaridade molar de classe”. (91)

” Com efeito, num primeiro caso, quanto mais a organização molar é forte, masi ela própria suscita uma molecularização de seus elementos, suas relações e seus aparelhos elementares. Quando a máquina torna-se planetária ou cósmica, os agenciamentos têm uma tendência cada vez maior a se miniaturizar e a tornar-se microagenciamentos. (…) A administração de uma grande segurança molar organizada tem por correlato toda uma microgestão de pequenos medos, toda uma insegurança molecular permanente, a tal ponto que a fórmula dos mistérios do interior poderia ser: uma macropolítica da sociedade para e por uma micropolítica da insegurança. (…) os movimentos moleculares não vêm mais completar, mas contrariar e furar a grande organização mundial. ” (93-94)

” Do ponto de vista da micropolítica, uma sociedade se define por suas linhas de fuga, que são moleculares. Sempre vaza ou foge alguma coisa, que escapa às organizações binárias, ao aparelho de ressonância, à máquina de sobrecodificação (…)” (94)

” E a cada vez pode-se situar um ‘centro de poder’ como estando na fronteira dos dois, e defini-los não por seu exercício absoluto num campo, mas pelas adaptações e conversões relativas que ele opera entre a linha e o fluxo. ” (95)

” É por isso que os centros de pode se definem por aquilo que lhes escapa, pela sua impotência, muito mais do que por sua zona de potência. Em suma, o molecular, a microeconomia, a micropolítica, não se define no que lhe concerne pela pequenez de seus elementos, mas pela natureza de sua “massa” – o fluxo de quanta, por sua diferença em relação à linha de segmento molar.” (96)

Linha de segmentos: macropolítica.
Fluxo de quanta: micropolítica.

” A política opera por macrodecisões e escolhas binárias, interesses binarizados; mas o domínio do decidível permanece estreito. E a decisão política mergulha necessariamente num mundo de microdeterminações, atrações e desejos, que ele deve pressentir ou avaliar de um outro modo. ” (102)

Ex: bancos, instituições financeiras, bolsa.
Não há contradições entre o molecular e o molar. Não há bom nem ruim. Há diferenciação.
Fala da microssociologia de Gabriel Tarde – o único sociólogo (dos tempos do surgimento da sociologia – final do séc. XIX) capaz de lidar com a multidão e com o caos social.

“Cada centro de poder é igualmente molecular, exercendo-se sobre um tecido micrológico onde ele só existe enquanto difuso, disperso, desacelerado, miniaturizado, incenssantemente deslocado, agendo por segmentações finas, operando no detalhe e no detalhe. (…) E não há mais centro do poder que não tenha essa microtextura. É ela – e não o masoquismo – que explica que um oprimido possa sempre ocupar um lugar ativo no sistema de opressão (…)” ( 105-106).

” Todo centro de poder tem efetivamente estes três aspectos ou estas três zonas:

1) sua zona de potência, relacionada com os segmentos de uma linha sólida dura;

2) sua zona de indiscernibilidade, relacionada com sua difusão num tecido microfísico;

3) sua zona de impotência, relacionada com os fluxos e quanta que ele só consegue converter, e não controlar nem determinar. Ora, é sempre do fundo de sua impotência que cada centro de poder extais sua potência: daí sua maldade radical e sua vaidade.” (108)

” Tudo se tornou flexibilidade aparente, vazios no pleno, nebulosas nas formas, tremidos nos traços. ” (110)

” É precisamente sua impotência que torna o poder tão perigoso” (111)

” O desejo é sempre agenciado, ele é o que o agenciamento determina que ele seja.” (112)

O espaço entre os dispositivos e o poder

Devido à pesquisa, li outro dia na biblioteca da ECA um livro do ano de 2002 sobre internet. Uma desastre, pois ele só falava de ferramentas e, algumas delas (of course que sim), não utilizamos mais… De novo, em conversas com amigos percebi que falar de internet não é falar de ferramentas, somente.

Imagine que chato ler um relatório enorme sobre as possibilidades e aplicações de tal ferramenta que irá durar apenas dois ou três anos….ainda bem que existe: The Church of Google!

É excelente a configuação de dispositivo em Deleuze:

“O dispositivo é definido por Deleuze (1993) como uma ‘meada, conjunto multilinear, composto por linhas de natureza diferente: as linhas não delimitam sistemas homogêneos, elas estão sujeiras a variações de direção, submetidas a derivações. Em sua multiplicidade de processos singulares em devir – verificação, objetivação, subjetivação, totalização – as linhas se entrecruzam, misturam-se sofrem variações, mutações de agenciamento” .

“Deleuze destaca quatro tipos de linhas – de luz ou visibilidade, dos regimes de enunciados, de força e subjetivação – ligadas ao eixo do saber (as duas primeiras), do poder e da subjetivação (…) é preciso ver o dispositivo predisposto à mudança. As linha de subjetivação abrem-no à linha de fratura, de brecha, isto é, estariam no seu limite, talvez esboçando sua passagem a um outro dispositivo. Deleuze frisa o caráter dinâmico das relaões de força que estão ’em perpétuo devir’, são móveis, evanescentes, difusas e também múltiplas (Deleuze, 1998, p. 112-114). (ORLANDO, 2006, p. 90-93).

Mais que ferramentas, o que existe hoje são espaços, incertezas, usos imprevisíveis, locais de criatividade, agenciamento e impulsos de poder.

Deleuze, Gilles. Mil Platos vol 1, 2, e três de…(qq edição que for)

ORLANDO, Ricardo. Dispositivo da interface:um estudo sobre tecnologias de comunicação. Tese de doutorado não publicada da Universidade de São Paulo. Departamento de Comunicação e Artes – CCA, 2006.

Nos Limiares do Discurso – Lyotard, Levinas, Deleuze e Derrida

February 19, 2008 Leave a comment

Um Olhar Sobre os Limiares do Discurso, é um belo artigo da pesquisadora Catherine Malabou (2007) – Universidade de Paris X – Nanterre – na qual o objeto de estudo é o início da formação das idéias (criação) e a transformação destas em artefatos culturais como: livros, obras de arte, etc.

Iniciando com um comentário acerca do olhar fixo, experimentado por todo aquele que permite perder-se minutos antes da vinda de um novo pensamento e, deixando de lado a possível abordagem biologicizante do assunto por meio de teorias da cognição, a autora trata do processo de criação a partir de conceitos filosóficos dos autores Lyotard (1985 e 2006), Levinas(1969 e 1995), Deleuze (1984) e Derrida (1995).

Como emerge a genealogia do pensamento? Através da linguagem? Para Lyotard, a linguagem não em o poder de fazer as coisas existirem. Na verdade, as coisas desaparecem assim que as nomeamos, pois o signo substitui o objeto em nosso pensamento.

Assim, falar seria como perder…apesar de a linguagem envolver uma manifestação espacial isso não significa que ela incorpore coisas, produza objetos culturais a menos que seja mesclada a uma forma figurativa. Tal como a música e livros, podcasts.

Assim, objetos artísticos seriam deformações, distorções irredutíveis na linguagem ao mediar o caminho entre a idéia e a forma. Essa seria a origem de um certo desapontamento de nossa parte diante do que pensamos e do que produzimos. Para Deleuze o essencial é a dramatização da idéa cuja meta é especificar, encarnar o pensamento em uma forma figurativa.

O fascínio pela materialização de um pensamento em objeto ou ação não pode ser separado de nós mesmos, de nossa subjetividade, algo que não podemos, a princípio, controlar mas que podemos aprimorar com o tempo. Mas anterior à subjetividade há um momento, uma lacuna cuja demanda pode ser compreendida através da busca por nossa própria satisfação.

A produção artística seria uma forma de nos vermos. Derrida aborda a criação através do problema do segredo no qual o autor ou o pensador põe em ação seus próprios segredos ao criar artefatos culturais. A exposição de segredos traz consigo o senso de responsabilidade diante daquilo que nos revela a nós mesmos. A noção de responsabilidade dá origem à formação de um pensamento ético.

Ao mesmo tempo, essa revelação é distorcida pelas formas, entrecruza-se a outras revelações, gerando um figurativo complexo.Um pensamento ético é complexo, sua forma figurativa através de leis e códigos de conduta possuem uma parte visível e invisível(Levinas) uma totalidade e um infinito que torna a ação social, cultural também móvel e emergente.

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