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Aspectos da massa em Elias Canetti

Alguns aspectos da multidão mencionados por Elias Canetti que são próximos às análises estabelecidas por Gabriel Tarde.

(Imitação/Inovação)

“O movimento de uns – pode-se pensar – comunica-se aos outros; mas não é só isso: as pessoas têm uma meta. E ela está lá antes mesmo que se encontrem palavras para descrevê-la: a meta é o ponto mais negro – o local onde a maioria encontra-se reunida.”(15)

(Movimento)

“Sim, pois tão subitamente quanto nasce a massa também se desintegra. Nessa sua forma espontânea, ela é uma construção delicada. Seu caráter aberto, que lhe possibilita o crescimento, representa-lhe também um perigo. A massa traz sempre vivo em si um pressentimento da desintegração que a ameaça e da qual busca escapar através da desintegração que a ameaça e da qual busca escapar através do rápido crescimento. Enquanto pode, ela absorve tudo; uma vez, porém, que tudo absorve, tem ela também de, necessariamente desintegrar-se.” (15)

Aquilo, porém, com que ela conta muito especialmente é a repetição. Graças à perspectiva de voltar a reunir-se, a massa sempre se ilude quanto a sua dissolução. O edifício espera por ela, existe por sua causa, e, enquanto ele existir, as pessoas voltarão a reunir-se de modo semelhante. Mesmo na maré baixa, o espaço lhes pertence, e, vazio, ele lembra a época da cheia.” (16)

Repetição em Canetti bate muito com a idéia de imitação em Tarde, e a forma de desintegração e reintegração da massa em momentos históricos distintos (ainda que seja apenas questão de minutos) compara-se com o movimento de ondas de repetição e inovação.

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