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Sobre a Moral e as Redes – O domínio dos interesses e a lógica da estratégia – como acontecem as conexões

November 25, 2009 Leave a comment

A moral como acordo em torno de um regime de veridição, proposta dentro de agenciamento coletivo da enunciação.

“Cada formação histórica, enquanto singularidade, é um conatus coletivo cuja potência de autoconservação lhe é imanente, mas cuja força ou intensidade para conservar-se, tanto quanto para seu perecimento, depende das relações que mantém com outras forças: as da Natureza, as das outras sociedades e as de seus conflitos internos. Uma formação histórica singular possui uma historicidade própria que esse manifesta em seus usos, costumes, instituições, leis e relações com forças externas e internas.” (CHAUÍ, 1999, p. 84).

A história como um movimento constante de forças e relações não dadas. Sem modelo/sem chão. Biopolítica foi uma intervenção liberal na formulação de direitos que defendessem a economia e controlassem o estado e o cidadão.

“Tratar-se ia da genealogia de regimes veridicionais, isto é, da análide da constituição de certo direito da verdade a partir de uma situação de direito, com a relação direito/verdade encontrando sua manifestação privilegiada no discurso, o discurso em que se formula o direito e em que se formula o que pode ser verdadeiro ou falso. De fato, o regime de veridição nã é uma certa lei da verdade, [mas sim] o conjunto de regras que permitem estabelecer, a propósito de um discurso dado, quais enunciados poderão ser caracterizados nele, como verdadeiros ou falsos.” (FOUCAULT, 2008, p. 49).

“(…) discursos que podem ser verdadeiros ou falsos de acordo com as regras que são as da medicina ou as da confissão ou as da psicologia, pouco importa, ou as da psicanálise. Em outras palavras, para que tenha um alcance político, a análise tem que visar não a gênese das verdades ou a memória dos erros. (…) A meu ver, o que tem uma importância política atual é determinar que regime de veridição foi instaurado num determinado momento (…)” (FOUCAULT, 2008, p. 50).

Regime de veridição: seria como uma verdade emergente que sucumbe de acordo com os interesses. Política da veracidade.

A Lógica da Dialética e a Lógica da Estratégia:

” Pois bem, a lógica dialética é uma lógica que põe em jogo termos contraditórios num elemento do homogêneo. Proponho substituir essa lógica da dialética pelo que chamarei de lógica da estratégia. E uma lógica da estratégia, não faz valer termos contraditórios num elemento do homogêneo que promete sua resolução numa unidade. A lógica da estratégia tem por função estabelecer quais são as conexões possíveis entre termos díspares e que permanecem dispares. A lógica da estratégia é a lógica da conexão do heterogêneo, não é a lógica da homogeinização do contraditório. Rejeitemos portanto a lógica da dialética e procuremos ver (em todo o caso é o que procurarei lhes mostrar no curso) quais conexões puderam puderam manter unidos, puderam fazer conjugar-se a axiomática fundamental dos direitos do homeme e o cálculo utilitário da independência dos governados.” (FOUCAULT, 2008, p. 58).

Já em Espinosa, no Tratado Teológico Político:

‘entre um imperium criado por uma população livre e aquele que se origina da conquista não há diferença essencial quanto à noção geral do direito civil, mas há entre elas uma enorme diferença quanto ao objetivo que procuram e quanto aos meios que dispõem para se manter.’ (SPINOZA, TP, 5, parágrafo 6, G, III, p. 294, Pensadores, p. 323).” (CHAUÍ, 2003, p. 262).

Na multitudo temos o estabelecimento de um imperium legítimo.

A diferença entre imperiuns se dá pela legitimidade ou ilegitimidade dos acordos.

Sobre os interesses, as finalidades:

“(…) a finalidade destrói a liberdade divina e humana porque submete as ações de Deus e do homem no constrangimento externo dos fins, independente da qualidade que se lhes queira dar. O finalismo não é só ignorância das verdadeiras causas das ações, causas que lhes são sempre eficientes, mas também retira do agente a autonomia de seu agir, transformado-o em paciente, pois submetidos a algo externo, lançando-o na heteronomia porque os fins não forma postos por ele (no caos dos humanos) ou, se postos por ele, separaram-se dele (no caso de Deus).” (CHAUÍ, 1999, p. 83).

Referências:

CHAUÍ, Marilena. Política em espinoza. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
SPINOZA, Baruch de. Tratado político. Tradução Manuel Castro. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
CHAUÍ, Marilena de Souza. Nervura do real: imanência e liberdade em Espinosa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 941p.
FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de France (1978-1979). Tradução: Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

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Biopolítica em Foucault e a Constituição do Campo Político em Spinoza

October 16, 2009 Leave a comment

O estudo sobre a biopolítica realizado em Foucault (2008, p. 28) começa por meio de uma metodologia que se poderia denominar de Genealogia da Forma de Governar ao analisar as influências do mercantilismo no que ele denomina por razão de Estado durante a Idade Média e os séculos XVI e XVIII.

“O que é governar? Governar segundo o princípio da razão de Estado é fazer que o Estado possa se tornar sólido e permanente, que possa se tornar rico, que possa se tornar forte diante de tudo o que pode destruí-lo”. (FOUCAULT, 2008, p. 6).

Pensando dessa maneira o autor chega às característica de especificidade e pluralidade do Estado, afirmando o não lugar do estado nas configurações de classe, mais adequado a uma realidade específica e descontínua que não estaria atrelada às formas constituídas de poder como igreja ou o governo do rei, mas como um lugar independente, um campo político que é plural.

Ao mencionar essa configuração do Estado, o autor coloca a definição do mesmo atrelada às relações que o constróem. Algo bem parecido com a constituição do campo política em Spinoza (1996). O governo da Multitudo se faz a partir de acordos, e o Imperium se constitui a partir não de um governo estabelecido, mas muito mais de um movimento de ação em comum, independente do regime político estabelecido.

“Os homens operam constituindo um indivíduo coletivo ou complexo, a multitudo, e instituem o imperium ou (…) “o corpo e a mente do poder” (totis imperii corpus et mens) dotado de toda potência que seus agentes lhe derem: o imperium é o direito natural comum ou coletivo cuja ação é o ânimo e a mente da massa. Ao ser instituído como poder soberano, esse direito coletivo implica simultaneamente um processo de distribuição de poderes, determinando as duas formas universais do campo político e as formas particulares dos regimes políticos.” ( CHAUÍ, 2003, p. 167).

Foucault vai falar do mercantilismo ou do liberalismo pois eles abriram espaços dentro das configurações históricas das formas de governo do Estado para um domínio econômico e de leis da economia sobrepujantes ao do governo propriamente dito.

A emergência de uma economia política sob a fachada de um “governo frugal” vem das relações dos atores, da sua maneira de se comportar e viver em relações complexas e entrelaçadas com os processos econômicos.

Fontes:

FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de France (1978 – 1979). Tradução: Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
CHAUÍ, Marilena. Política em espinoza. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
SPINOZA, Baruch de. Tratado político. Tradução Manuel Castro. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

Sobre a Moral e as Redes – Sobre a Moral e a Multidão

October 15, 2009 Leave a comment

A Instituição do Campo Político em Spinoza e a Instituição da Moral – Do Governo por Interesses

Hipótese: A generosidade vem dos interesses estabelecidos em cada acordo realizado entre os atores na rede. Apesar da escala denunciada dos movimentos ser grande, é preciso olhar o pequeno grupo para termos a noção do movimento da multidão. Olhar de Gabriel Tarde (2003/1893) A moral não é dada, ela nasce no movimento de conversação e disseminação da multidão em rede.

Histórico: pesquisa com adolescentes no Programa de Inclusão Digital Acessa São Paulo revelou em 2008 que os meninos se organizam, forma grupos segundo interesses comuns. A moral nasce de um interesse em comum, ela é construída no acordo. Cada grupo tem sua moral criada e regras próprias.

Fala da arte

Fala da imaginação

Fala da influência da imaginação no agente, no ato e na obra (contraponto a Platão)

“A imaginação inverte a ordem natural, transformando os produtos da ação em modelos universais abstratos, postos como valores e medidas das ações concretas. Numa palavra, a imaginação, nascida da causalidade inadequada, põe essa causalidade como norma do real e da ação: põe a heterotonomia do agente como princípio da ação e inventa a moral, orientada por fins (perfeição-imperfeição; bem-mal; justo-injusto; pecado-obediência). A perspectiva moralizante se espalha para as demais atividades humanas: na arte, coloca como fins beleza, harmonia, ordem; na política, inventa os paradigmas da boa sociedade, do bom governante, a teoria dos seis regimes e, na busca do ‘melhor’, inventa a excelência do regime misto, o tirano como mau governante, o rebelde como mau súdito e a noção de ‘bem comum’ como paz advinda da hierarquia e da repressão dos desejos. É o moralismo normativo e finalista que impede, afinal, o surgimento do discurso político (…)”
(CHAUÍ, 2003, p. 153).

Spinoza vê o movimento dos afetos nos seres humanos como algo que os caracteriza essencialmente como humanos. Negar essa característica, seja na política, seja na educação é desnaturalizar o homem da sua própria condição.

Há ao se estabelecer campos políticos por Hobbes ou por Maquiavel tentativas em associar virtude, fortuna ao governante, como se estivesse em um campo livre dos afetos: paixões, ódios, disputas, ciúmes.

“A crítica espinosana não só indica que o novo discurso político situa-se à distância do ‘espelho dos príncipes’, mas ainda descortina a causa imaginária desse gênero político que, ao desnaturalizar as paixões e ignorar os homens tais como são, preferindo homens que em parte algum existem, concebe a virtude como racionalidade orientada por fins e, portanto, como obediência a normas ou como dever e obrigação. Em outras palavras, a abertura do Tratado Político indica os dois efeitos do imaginário da contigência e da vontade livre: de um lado, a imagem do homem vicioso, e de outro, como sua sombra necessária, a moral e a política do dever-ser, isto é, da virtude como regra e norma”. (CHAUÍ, 2003, p. 156).

Excertos a partir de:

CHAUÍ, Marilena. Política em espinoza. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SPINOZA, Baruch de. Tratado político. Tradução Manuel Castro. São Paulo: Nova Cultural, 1996

TARDE, Gabriel. Monadologia e sociologia. Tradução: Tiago Seixas Themudo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003/1893.

Can we all Govern? Get involved…

August 25, 2009 Leave a comment

<Doing things together…><this is a very profound change> I’m talking about unbowedly and reconstitute about what is <<government>>

Pesando na organização histórica da multidão, e na transformação do conceito de multidão por meio das ferramentas de comunicação a partir das três ultimas décadas do século XX, entretanto essa noção de pertencer a uma multidão por meio de ações comunicativas começa a fazer parte do imaginário coletivo apenas a partir da primeira década do século XXI. Noções de empoderamento e insegurança.

<<more people can say more things to more people than ever in history and that still growing enormously>>
<<what else could we create?>>

<Doing things together…><this is a very profound change>

The morality of the links

December 10, 2008 Leave a comment

WEINBERGER, David. The morality of the links. In: TUROW, Joseph; LOKMAN, Tsui. (Ed.) The hyperlinked society: questioning connections in the digital age. Ann Arbor, MI: The University of Michigan Press, 2008.

Neste artigo, Weinberger pensa a moralidade dos links (se são bons ou ruins) não do ponto de vista do conteúdo a que nos levam, mas da própria arquitetura de compartilhamento da Web. Conclui que a Web apresenta um processo sempre moral de relacionamento e experimentação uma vez que compartilhamos nossos espaços e estamos sempre em processo de conversação, sempre em uma relação fruto dessa experiência. Sendo assim temos que atentar para como o outro se encontra no mundo, seus valores e compartilhar esses valores, aprendendo a negociar com eles.

A preocupação com a moral em rede é fruto de uma pesquisa que realizei com jovens de 15 a 19 anos no Programa Conexões Científicas – 2008, na qual notei que questões como o falso e verdadeiro estão adquirindo um aspecto híbrido e produtor de subjetividade através de suas conversações na Internet.

ABOUT THE BOOK

“The essays in this collection engage these questions and others in their attempts to undestand the social meaning of the hyperlink. The project started as a conference called “The Hyperlinked Society” that I convened at the University of Pennsylvania’s Annenberg School for Communication on Friday, June 9, 2006. Whith the suport of the John D. and Catherine T. MacArthur Foudation and the Annenberg Public Policy Center, about two hundred people from around the United States as wellas Canada, China, the Netherlands, Israel, Autralia, Germany, and England came together to address the social implications of instant digital linking. The guiding assumption of the meeting was that we need crossdisciplinary thinking to do justice to this multifaceted subject. Our panelists therefore included renowned news, entertainment, and marketing executives; information architects, bloggers; carthographers; audience anlysts; and communication researchers.

(…)the goal was to shed light on a remakable social phenomenon that peple in business and the academy usually take for granted.” (página 7).

WEINBERGER’S ARTICLE: The morality of the links

“We could perform an analysis of those links to get a sense of what sort of conections they’re drawing. If the vast majority of them are embede in text that consists of variations on “I hate that other site!” then may belief that links are good might be shaken, especially if the pages hosting those links were the most popular ones. But that’s an unlikely outcome.

Besides – and more important – the goodness of links comes not from the quality of the pages they point to or the semantic contexts in which they’re embeded. The goodness of links operates a level below that. So even if all the links on the Web were negative and hateful, I think I’d say not that links are bad but there’s something very nasty about us human beings.(…)

Our moral behavior and our ability to engage in moral argument are grounded in the same facts. You can’t be moral if you don’t recognize that there are other people with interests (…) You’re just a rule follower. To be a moral person – as you an I and just about everyone we know are – you have to be aware not only that there are others but that they care about what happens to them. (…) to care about the world the way that person’s does.” (WEINBERGER, 2008, p. 185).

“What counts is seeing how the world matters to the other person.” (página 186). (The effects of our action).

O cuidado sobre as possibilidades de influências e as suas conseqüências é o coração da moralidade. Sem esse sentimento a moralidade torna-se apenas um conjunto de regras. “With it, the rules become rules of thumb we only consult when we have trouble sorting out the jumbled ways our actions matter. ” (página 186).

“The Golden Rule that the possibility of morality itself depends on three fundamental facts: we share a world, that world matter to others, and the fact that it matters to others matters to us. If we remove any one of these three facts, the world isn’t moral in any way we cam recognize. (…) Put these three facts together and we live in a world in which our behavior is constrained because what whe do affects others who also care about what happens to them.” (página 186).

“I want to see if there is anything about the structure and nature of links themselves that let us say rasonable that links are good. Or, to be more exact, is there anything about their structure and nature that explains why at least some of us (I, for example) have a strong sense that links are good. (186).

“There is. If morality is based on our caring that we share a world with others whom that world matters, then is acting morally, we turn tword that world with others.” (186-187).

“We sometimes make progress in morality by feeling the feelings of others, but we make more significant progress by understanding how the world appears such that it evokes feelings. Sympathetic understanding is more powerful than mere empathy because it gets at more of the truth. (…) They merely sum up an event saturated with particularities. Our moral sense can go as deep as the world itself in understanding how things matter to affect us. (…) In this sense, then, morality is an infrastructure of connection in which we allow ourselves to care about how the world matters to others. That is formally the same as a description of the link structure of the Web.

After all, what do  we do on the Web? We link. No links, no Web. In liking we send people to another site (assuming we aren’t the sort of narcissists who link only to themselves). Where they can see a bit of the world as it appears to another. (…) Pointing people to a shared world, letting how it matters to others matter to us – that’s the essence of morality and of linking” (página 187).

“Morality and the Web have the same basic architecture? (…) That means the Web is the same as morality. Surely the web can’t be that important.” (…) the moral realm is not an isolated segment of human experience”. (página 188).

“Web’s moral structure is in the Web. There is something special, but not unique, about the Web’s moral architecture. The tools by which we communicate tend to reflect the moral architecture more explicity (…) because communication with each other, we turn toward the word that we share and that matters to both of us. I try to show you how the world matters to me, attempt to understand how it matters to you, and we try to share more of the world. In communicating.” (189).